Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia? Provavelmente 36. Essa é a resposta de um grupo de investigadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, liderados pelo professor de astrofísica Christopher Conselice. A equipa de Conselice chegou a essa conclusão após estudar quantos planetas na Via Láctea têm potencial para abrigar vida inteligente. Isso partindo da “suposição de que a vida inteligente se forma em outros planetas de maneira semelhante a como aconteceu na Terra”, diz o estudo publicado na revista científica The Astrophysical Journal. Pode também ver o artigo em https://www.bbc.com.

“A nossa nova investigação sugere que a busca por civilizações inteligentes extraterrestres não só revela a existência de como se forma a vida, como também nos dá pistas sobre quanto tempo a nossa própria civilização continuará a existir”, diz Conselice.

“Se descobrirmos que a vida inteligente é comum, isso revelaria que a nossa civilização poderia existir muito mais do que apenas algumas centenas de anos; mas se descobrirmos o contrário, que não há civilizações ativas na nossa galáxia, isso é um mau sinal para a nossa própria existência de longo prazo.”

O princípio da mediocridade

Os cientistas de Conselice dizem que a sua teoria parte do princípio da mediocridade de Nicolau Copérnico. Este é um conceito filosófico aplicado na astronomia que diz que a Terra não é o único planeta do universo capaz de abrigar vida. Também lançaram mão da equação de Drake, do astrónomo Frank Drake, que em 1961 estabeleceu sete fatores necessários para desenvolver vida inteligente – como a conhecemos – noutro planeta. Entre os fatores está a existência de uma estrela em distância adequada para que o planeta possa orbitar ao redor dela, dando condições favoráveis para geração de vida. Os pesquisadores da Universidade de Nottingham começaram analisando quais outros planetas existem na Via Láctea e há quanto tempo eles existem. O número de civilizações, portanto, “depende em grande medida de quanto tempo elas enviam ativamente sinais da sua existência no espaço”. Após realizar complexos cálculos matemáticos, eles determinaram que poderia haver “ao redor de 36 civilizações tecnicamente inteligentes” que viveriam na nossa galáxia. Conselice ressalta que “tendo em conta que são necessários uns 5 bilhões de anos para que se forme vida inteligente” em outros planetas como a Terra, “deve haver, ao menos, umas poucas dezenas de civilizações ativas na nossa galáxia”. Especialistas dizem que conseguir contatar com extraterrestres usando a tecnologia atual pode demorar milhares de anos.

800px-Milky_Way_2005 Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
A Via Láctea

A pesquisa indica que 36 é o número provável, mas poderia variar de quatro a 211. O professor Andrew Coates, da University College London, disse no Twitter que se trata de “um trabalho interessante”. No entanto, ele considera que não é possível comprovar esse número usando a tecnologia atual. Quem espere um contato com um vizinho de galáxia no curto prazo vai ficar dececionado. A distância média dessas civilizações é de 17 mil anos-luz. Para haver uma comunicação bidirecional, seriam necessários 6.120 anos.

250px-Artist_Concept_Planetary_System Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Uma conceção artística de um sistema planetário

Numa possível descoberta histórica, cientistas usando o telescópio espacial James Webb obtiveram sinais fortes de possível vida além do nosso sistema solar. Foram detetados na atmosfera de um planeta alienígena as impressões químicas de gases que, na Terra, são produzidos apenas por processos biológicos. Os dois gases, dimetil sulfeto (DMS) e dissulfeto de dimetila (DMDS), observados no planeta chamado K2-18 b, são gerados na Terra por organismos vivos, principalmente por vida microbiana como o fitoplâncton marinho (algas). Isso sugere que o planeta pode estar repleto de vida microbiana, segundo os pesquisadores. No entanto, eles enfatizaram que não estão a anunciar a descoberta de organismos vivos, mas sim de uma possível bioassinatura, um indicativo de processo biológico, e que os achados devem ser vistos com cautela, sendo necessárias mais observações. Ainda assim, os cientistas demonstraram entusiasmo. “Esses são os primeiros indícios de um mundo alienígena possivelmente habitado”, disse o astrofísico Nikku Madhusudhan, do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, autor principal do estudo publicado na revista Astrophysical Journal Letters. “Este é um momento transformador na busca por vida além do sistema solar. Demonstrámos que é possível detetar bioassinaturas em planetas potencialmente habitáveis com os recursos atuais. Entrámos na era da astrobiologia observacional”, afirmou Madhusudhan. Ele observou que existem vários esforços em andamento para encontrar sinais de vida no nosso sistema solar, como em Marte, Vénus e em diversas luas geladas. K2-18 b é 8,6 vezes mais massivo que a Terra e tem um diâmetro cerca de 2,6 vezes maior. Ele orbita na “zona habitável” — uma distância da sua estrela onde a água líquida pode existir na superfície, de uma anã vermelha menor e menos luminosa que o Sol, localizada a cerca de 124 anos-luz da Terra, na constelação de Leão.

Um “mundo hycean”

Earthlike_moon_extrasolar_gas_giant Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
As luas de alguns gigantes gasosos podem ser habitáveis.

Desde os anos 1990, cerca de 5.800 exoplanetas (planetas fora do nosso sistema solar) foram descobertos. Cientistas têm criado hipóteses sobre a existência dos chamados mundos hycean — cobertos por oceanos de água líquida habitáveis por microrganismos, com atmosfera rica em hidrogénio. Observações anteriores do Webb, que foi lançado em 2021 e entrou em operação em 2022, já haviam identificado metano e dióxido de carbono na atmosfera de K2-18 b, a primeira vez que moléculas baseadas em carbono foram detetadas na atmosfera de um exoplaneta na zona habitável de uma estrela.

“O único cenário que atualmente explica todos os dados obtidos até agora pelo JWST, incluindo as observações passadas e atuais, é aquele onde K2-18 b é um mundo hycean repleto de vida”, disse Madhusudhan.

“No entanto, precisamos estar abertos e continuar explorando outros cenários.” Segundo ele, nesses mundos, caso existam, é de se esperar vida microbiana, possivelmente semelhante à encontrada nos oceanos da Terra. Os oceanos desses planetas seriam mais quentes. Quanto à possibilidade de organismos multicelulares ou vida inteligente, Madhusudhan foi cauteloso:

“Não podemos responder essa pergunta neste estágio. A suposição básica é de vida microbiana simples.”

Os gases DMS e DMDS, pertencentes à mesma família química, têm sido apontados como importantes bioassinaturas em exoplanetas. O telescópio detetou a presença de um ou outro (ou ambos) na atmosfera do planeta com 99,7% de confiança estatística, o que ainda deixa uma hipótese de 0,3% de ser um erro ou ruído estatístico. Eles foram detetados em concentrações atmosféricas superiores a 10 partes por milhão em volume.

“Para comparação, isso é milhares de vezes mais do que as suas concentrações na atmosfera da Terra, e não pode ser explicado sem atividade biológica, segundo o conhecimento atual”, afirmou Madhusudhan.

Cientistas que não participaram do estudo recomendaram cautela.

“Os dados de K2-18 b são riquíssimos, tornando-o um mundo fascinante”, disse Christopher Glein, cientista do Southwest Research Institute, no Texas.

“Esses novos dados são uma contribuição valiosa, mas devemos testá-los o máximo possível. Espero ver mais análises independentes já na próxima semana.”

Método de trânsito

K2-18 b pertence à classe de planetas “sub-netpuno”, com diâmetro maior que o da Terra, mas menor que o de Neptuno (o menor gigante gasoso do nosso sistema solar). Para determinar a composição química da atmosfera de um exoplaneta, os astrónomos analisam a luz da sua estrela enquanto o planeta passa na frente dela do ponto de vista da Terra, isso é chamado método de trânsito. Durante esse trânsito, parte da luz da estrela atravessa a atmosfera do planeta e, ao ser captada pelo telescópio, permite determinar os gases presentes. As observações anteriores do Webb já haviam sugerido a presença de DMS. As novas observações usaram um instrumento diferente e outra faixa de luz para confirmação.

“O Santo Graal da ciência de exoplanetas”, disse Madhusudhan, “é encontrar evidências de vida num planeta parecido com a Terra, fora do nosso sistema solar.”

Madhusudhan disse que a humanidade se pergunta há milénios se estamos sozinhos no universo, e que agora talvez estejamos a apenas alguns anos de descobrir uma possível vida alienígena num mundo hycean.

Mas ele ainda pediu prudência: “Primeiro, precisamos repetir as observações duas ou três vezes para garantir que o sinal é real e aumentar a significância da deteção, até que a probabilidade de erro estatístico seja menor que uma num milhão”, disse.

“Segundo, precisamos de mais estudos teóricos e experimentais para garantir se não há um mecanismo abiótico (sem envolver vida) que possa produzir DMS ou DMDS numa atmosfera como a de K2-18 b.”

Apesar de estudos anteriores já considerarem esses gases como bioassinaturas confiáveis, inclusive nesse planeta, Madhusudhan conclui:

“É um grande se que os dados estejam mesmo apontando para a vida. E não interessa a ninguém afirmar prematuramente que detetámos vida.”

Disponível também em https://g1.globo.com

Por que ninguém comunica connosco ?

Diante da imensidão do Universo, faz sentido imaginar que não estamos sozinhos?

Mas, se há realmente vida inteligente além do nosso planeta, por que não conseguimos comprovar?

Será que os extraterrestres têm medo de nós? Ou simplesmente parecemos muito chatos?

É possível que eles tentem comunicar, mas ainda não percebemos?

Estas questões foram debatidas por um grupo de astrofísicos, biólogos, sociólogos, psicólogos e historiadores, que se reuniram no Cité des Sciences et de l’Industrie (Cidade das Ciências e da Indústria, em tradução livre), em Paris, na França. Estes pesquisadores fazem parte do Meti (sigla em inglês para Mensagens a Extraterrestres Inteligentes), organização com sede nos EUA que se dedica a enviar sinais interestelares com a esperança de receber, algum dia, uma resposta.

O grande silêncio

Parece contraditório que, embora seja muito provável que exista vida em outros planetas, nunca houve tentativa de contato. Os estudiosos no assunto costumam se referir a essa suposta contradição como “o grande silêncio” ou “paradoxo de Fermi”, uma vez que o físico italiano Enrico Fermi foi o primeiro a levantar a questão em 1950. Uma das missões do Meti é desvendar por que nossos possíveis vizinhos cósmicos nos ignoram. Durante a reunião, os pesquisadores discutiram uma das explicações que consideram mais controversas: a “teoria do zoológico galáctico”.

1280px-Amersfoort_Zoo_Siberian_Tigers Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Uma das teorias, é que vivemos num jardim ‘zoológico galáctico’ sem perceber.

“Talvez os alienígenas observem os humanos na Terra, da mesma forma que observamos animais no zoológico”, afirmou o astrobiólogo Douglas Vakoch, presidente do Meti, em comunicado.

“Como conseguir que os guardiões deste zoológico galáctico se apresentem?”

Quarentena galáctica

Para alguns cientistas, a razão pela qual esses guardiões não aparecem é que poderia ser perigoso.

“Experiências passadas mostram que qualquer encontro entre duas civilizações é perigoso para ambas”, diz a astrofísica Danielle Briot, que trabalha para o Observatório de Paris.

“Sabendo disso, os extraterrestres civilizados não tentarão comunicar conosco.”

Jean-Pierre Rospars, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Agrícolas da França (INRA), tem uma teoria semelhante.

1280px-Admiring_the_Galaxy Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Um homem observando a Via Láctea e o universo a partir do deserto do Atacama, no Chile.

“Parece provável que os extraterrestres estejam impondo uma ‘quarentena galáctica'”, diz Rospars.

“Eles sabem que será culturalmente prejudicial se soubermos a respeito deles”, acrescenta.

É uma boa ideia entrar em contato?

Vakoch propõe que os humanos procurem “alternativas mais produtivas” para entrar em contato com os extraterrestres.

“Se fossemos a um jardim zoológico e de repente uma zebra nos olhasse nos olhos e começasse a escrever uma série de números primos com a pata, isso estabeleceria uma relação radicalmente diferente entre nós e a zebra, e nos sentiríamos obrigados a responder”, diz o cientista.

“Podemos fazer o mesmo com os extraterrestres, transmitindo sinais de rádio fortes, intencionais e ricos em informações para estrelas próximas”.

Este é um tema polémico. Em 2004, por exemplo, o físico Stephen Hawking disse, em entrevista à National Geographic, que um possível contato com alienígenas “seria um desastre”.

Telescope_Kepler-NASA Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Sonda espacial Kepler, da NASA, que tem o objetivo de encontrar exoplanetas.

“Os alienígenas provavelmente estão muito à nossa frente. Acho que devemos manter a cabeça baixa”, acrescentou.

Em 2010, ele voltou a defender essa ideia em entrevista ao Discovery Channel.

“Apenas olhando para nós mesmos, podemos ver como a vida inteligente pode se tornar algo que não gostaríamos de conhecer”, afirmou Hawking.

A teoria do zoológico galáctico alimenta o debate sobre a possibilidade de vida extraterrestre, mas a verdade é que a pergunta que todo mundo faz permanece sem resposta: estamos sozinhos no universo?

Mistério do espaço

Astrónomos revelaram detalhes de misteriosos sinais emitidos de uma galáxia distante, captados por um radiotelescópio no Canadá.

1280px-Moving_heart_of_the_Crab_Nebula Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Astrónomos dizem que uma das possíveis fontes dos sinais pode ser uma estrela de nêutrons com forte campo magnético e em alta rotação.

A natureza e a origem das ondas de rádio exatas ainda são desconhecidas. Entre os 13 pulsos rápidos de rádio, conhecidos como FRBs, havia um sinal repetitivo muito incomum vindo da mesma fonte localizada a cerca de 1,5 bilhão de anos-luz da Terra. Tal evento só havia sido registrado anteriormente uma vez, e por um radiotelescópio diferente.

“Saber que há um novo indica que pode haver mais lá fora”, afirma Ingrid Stairs, astrofísica da Universidade de British Columbia.

“E com mais repetições e mais fontes disponíveis para estudo, poderemos ser capazes de entender esses quebra-cabeças cósmicos – de onde vêm e quais são suas causas.”

O observatório Chime, no Vale do Okanagan, é formado por quatro antenas semicilíndricas de 100 metros de comprimento, que varrem diariamente o céu do hemisfério norte. O radiotelescópio só passou a funcionar no ano passado, detectando 13 pulsos de rádio quase que imediatamente, incluindo a repetição. A pesquisa foi publicada agora na revista científica Nature.

“Nós descobrimos uma segunda repetição e suas propriedades são muito similares à primeira”, disse Shriharsh Tendulkar, da Universidade McGill University, no Canadá.

Até agora, cientistas detectaram cerca de 60 FRBs, lampejos curtos (com duração de milissegundos) e luminosos em frequência de rádio, e dois deles se repetem. Os especialistas acreditam que deve haver milhares de FRBs no céu todos os dias.

Há uma série de teorias sobre as possíveis causas. Elas incluem uma estrela de neutrões de campo magnético muito forte que gira rapidamente, a fusão de duas estrelas de nêutrons e, segundo uma parcela pequena dos observadores, algum tipo de nave extraterrestre.

Estamos realmente sozinhos no Universo?

Três acadêmicos de Oxford concluem que provavelmente sim.

“Encontrámos uma probabilidade sustancial de que não haja outra vida inteligente no nosso universo observável”, afirmam os autores do estudo.

“Onde estão?”

Foi a pergunta que o famoso físico italiano Enrico Fermi fez a seus colegas quando trabalhava no Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, em 1950.

Fermi discutia a existência de outras civilizações inteligentes e a aparente contradição entre as estimativas que afirmam haver uma alta probabilidade de essas civilizações existirem no universo observável – e a falta de evidências delas.

Somente na Via Láctea, a estimativa mais conservadora indica a existência de cerca de 100 bilhões de estrelas, muitas rodeadas por planetas. Por que, então, ainda não temos a comprovação de vida inteligente além do nosso planeta?

A história do Universo em 4 minutos

Se existem biliões de possibilidades de que haja civilizações inteligentes, por que ninguém procurou entrar em contato?

Essa disparidade, que é conhecida como o paradoxo de Fermi, foi agora reavaliada por três académicos da Universidade de Oxford. E em seu estudo, intitulado Dissipar o Paradoxo de Fermi, eles dizem que é mais provável que a humanidade “esteja sozinha no Universo”.

Equação

Os três autores do estudo são Anders Sandberg, pesquisador do Instituto Futuro da Humanidade, da Universidade de Oxford, o engenheiro Eric Drexler, que popularizou o conceito de nanotecnologia, e Tod Ord, professor de Filosofia no mesmo centro académico.

102208555_b8307f10-8eb1-4c85-96d5-3e713fe45d93.jpg-300x300 Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
O paradoxo de Fermi aponta para a aparente contradição entre estimativas que apontam ser alta a probabilidade de existirem outras civilizações inteligentes e a ausência de evidências dessas civilizações.

O novo trabalho deles analisa uma das bases matemáticas do paradoxo de Fermi, a chamada equação de Drake, proposta pelo astrônomo Frank Drake na década de 1960. A equação foi concebida para estimar o número de civilizações detectáveis na Via Láctea e multiplica sete variáveis. Duas delas, por exemplo, são N, o número de civilizações na Via Láctea cujas emissões eletromagnéticas são possíveis de detectar, e fp, a fração de estrelas com sistemas planetários. Os três estudiosos de Oxford apresentaram uma versão atualizada da equação de Drake que incorpora “uma distribuição mais realista da incerteza”.

Sozinhos

A equação de Drake foi usada no passado para mostrar que a quantidade de possíveis lugares onde poderia haver vida deveria produzir um grande número de civilizações. Mas essas aplicações assumem “certeza em relação a parâmetros altamente incertos”, apontam os autores do estudo.

1280px-Starsinthesky Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
A busca de inteligência extraterrestre deve continuar, segundo os académicos de Oxford.

“Nós examinámos esses parâmetros, incorporando modelos de transições químicas e genéticas nos caminhos em direção à origem da vida, e mostrámos que o conhecimento científico existente corresponde a incertezas que abrangem várias ordens de magnitude. Isso faz uma grande diferença”, acrescentaram Sandberg e seus colegas.

A revisão da equação com distribuições mais realistas de incerteza levou os autores a concluírem que “há uma probabilidade de 39% a 85% de que os seres humanos estejam sozinhos no Universo”.

“Encontrámos uma probabilidade substancial de que não haja outra vida inteligente em nosso universo observável e, portanto, não deveria haver surpresa quando não detetamos quaisquer sinais disso,” dizem os cientistas.

A maior incerteza “nos leva a concluir que existe uma probabilidade razoavelmente alta de estarmos sozinhos”.

Inteligência extraterrestre

Os autores do estudo não acreditam, no entanto, que os cientistas deveriam desistir de buscar inteligência extraterretre ou SETI, da sigla em Inglês. Recentemente, por exemplo, cientistas descobriram a existência de complexas moléculas baseadas em carbono nas águas de Enceladus, uma lua de Saturno, que podem indicar que o local é capaz de abrigar vida, algo que só será comprovado após muitos anos de pesquisas.

“Não mostramos que essa busca (por vida extraterrestre) é inútil, pelo contrário”, declarou Sandberg. “O nível de incerteza que temos de reduzir é enorme, e a astrobiologia e a SETI podem desempenhar um papel importante na redução dessa incerteza de alguns parâmetros.”

Não há respostas simples para o paradoxo de Fermi. Se, apesar da baixa probabilidade, for detectada vida extraterrestre inteligente no futuro, Sandberg diz que “não nos devemos surpreender muito”.

Astrónomos descobrem planeta

Astrónomos descobrem planeta parecido com a Terra a ‘apenas’ 6 anos-luz de distância.

1280px-Osiris_%28HD209458b%29_planet_illustration Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
O exoplaneta provavelmente é congelado e muito pouco iluminado – recebe de sua estrela apenas 2% da luz que a Terra recebe do Sol.

Pode acompanhar em, BBC News Brasil

Ele fica a “apenas” 6 anos-luz daqui, tem dimensões semelhantes à Terra e está a uma distância de sua estrela parecida daquela entre o nosso planeta e o Sol. Cientistas anunciam nesta quarta-feira a descoberta de um planeta que orbita a estrela de Barnard e, provavelmente, é rochoso. É o segundo exoplaneta, como são chamados os planetas fora do Sistema Solar, mais próximo da Terra já descoberto. Mas é preciso conter a euforia: é praticamente improvável que Barnard b ou GJ 699 b (as duas maneiras como o astro é denominado, cientificamente) reúna condições para a existência de vida. O planeta está na categoria de superterra, ou seja, tem massa maior do que a Terra, mas menor do que os gigantes gasosos do Sistema Solar, por definição, o termo é empregue para planetas com massa de 1 a 10 vezes a da Terra. Barnard b, de acordo com os dados disponíveis, deve ter uma massa pelo menos 3,2 vezes a da Terra e dá uma volta completa em torno de sua estrela a cada 233 dias. A descoberta foi realizada por um grupo internacional de astrónomos, unidos em dois consórcios internacionais de busca por planetas rochosos, o Red Dots Project e o Carmenes, e acaba de ser divulgada pela revista científica Nature.

“A única informação que temos é a massa mínima do planeta, que é de 3,2 vezes a terrestre. Isso porque a técnica que usamos, conhecida como velocidade radial ou técnica Doppler, é sensível apenas às variações de velocidade ao longo da linha de visão. Isso significa que não podemos distinguir um planeta menos massivo com uma órbita de borda a partir de um planeta mais massivo em uma órbita inclinada”, explicou à BBC News Brasil o físico e astrônomo Ignasi Ribas, do Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha e principal autor da descoberta.

“A partir de considerações estatísticas, podemos estimar que a massa mais provável para o planeta é de 4,1 massas terrestres.”

Em termos de distância da Terra, o exoplaneta só está mais longe, dentre todos os já descobertos, do que Proxima b, cuja existência foi anunciada em 2016 e está a pouco mais de 4 anos-luz da Terra.

Campo_ultra_profundo_3d Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
O exoplaneta é o segundo mais próximo da Terra já descoberto.

Vida

Além das dimensões semelhantes, Barnard b também está a uma distância em relação a sua estrela que é considerada da mesma faixa daquela que separa o Sol da Terra. “O planeta está localizado a uma distância de 0,4 unidades astrónomos as, 40% da distância Terra-Sol, ou 60 milhões de quilómetros da sua estrela”, confirma Ribas.

Entretanto, como a Barbard é uma estrela fria e de baixa massa, provavelmente duas vezes mais velha que o Sol, ele está numa zona em que a temperatura média seria de 170 graus negativos, a luz da estrela de Barnard fornece ao seu planeta apenas 2% da energia que a Terra recebe do Sol.

“Este planeta é muito frio, está fora da chamada ‘zona habitável’. Se pensarmos que a água superficial líquida é importante para a vida, este planeta provavelmente não é um bom candidato.

No entanto, eu diria que quanto mais podemos aprender sobre pequenos planetas, onde eles são encontrados, do que são constituídos, se têm atmosferas, mais iremos compreender se a Terra é única ou não”, comentou à BBC News Brasil a astrônoma Johanna Teske, pesquisadora do Instituto Carnegie de Washington e uma das autoras do estudo.

Se Barnarb b está a 60 milhões de quilómetros da sua estrela, a zona habitável calculada para seu sistema seria de 7 milhões a 18 milhões de quilómetros. “Por causa disso, é improvável que a superfície do planeta sustente a água líquida. Por esta razão, a vida superficial no planeta pode ser quase certamente descartada. Estimamos uma temperatura de equilíbrio de 170 graus negativos e é bastante improvável que a temperatura real da superfície seja muito mais alta”, completa Ribas, a temperatura real da superfície foi estimada em 150 graus negativos.

“No entanto, deixe-me salientar que estou falando de água líquida superficial. Há lugares no Sistema Solar que estão fora da zona habitável e que parecem ter água líquida subterrânea, como Europa, lua de Júpiter, e Enceladus, lua de Saturno”, exemplifica o cientista.

“Perguntar se a estrela b de Barnard tem um oceano semelhante debaixo de uma camada congelada é apenas especulação neste momento porque sabemos muito pouco sobre a constituição do planeta: que pode ser desde um mundo rochoso a um mini-Netuno, as observações futuras é que devem responder isso.”

Barnardstar2006 Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Localização da Estrela de Barnard, por volta de 2006 (o sul está apontado para cima).

É por isso que o físico se apressa em conter os ânimos de quem já imagina um cenário muito parecido com a Terra. “Por enquanto, o que sabemos é que o planeta é maior que a Terra e sua distância orbital não é tão diferente, mas está realmente longe de um mundo parecido com a Terra, já que é muito mais frio”, afirma o físico. “Não temos pistas sobre suas propriedades geológicas.”

“A estrela de Barnard é provavelmente até duas vezes mais velha do que o Sol. Então, como o planeta provavelmente se formou logo após a estrela, provavelmente é mais antigo que a Terra”, conjectura Teske.

“É difícil no momento estimar algo além disso porque não conhecemos sequer o raio do planeta. Se tivéssemos medido o raio, com a massa já medida poderíamos estimar sua densidade média e, assim, lançar hipóteses sobre sua composição. Neste caso, só conhecemos a massa mínima.”

Método

Para descobrir o exoplaneta, os astrônomos cruzaram dados de 20 anos de pesquisas, obtidos por sete instrumentos astronómicos diferentes. Esta é a primeira vez que um planeta tão pequeno e distante de sua estrela quanto este foi detectado usando a chamada técnica de velocidade radial. Trata-se de uma técnica que se apoia no fato de que a gravidade não é uma força da estrela que afeta o planeta que nela orbita, mas também o contrário, ou seja, há uma força entre a gravidade do planeta e a estrela. Com os instrumentos adequados, os astrónomos conseguem detectar pequenas oscilações que a gravidade do planeta induz na órbita da estrela.

“Temos um arquivo com décadas de dados à disposição. E a precisão das novas medições continua melhorando, o que abre portas para novos parâmetros de pesquisas espaciais”, vislumbra o astrónomo Paul Butler, do Instituto Carnegie.

Barnard

Descoberta em 1916 pelo astrónomo americano Edward Emerson Barnard (1857-1923), a estrela de Barnard é uma anã-vermelha que fica na constelação de Ophiuchus. Localizada a pouco menos de 6 anos-luz da Terra, pelo que se sabe atualmente, é a quarta estrela mais próxima de nosso planeta, perdendo apenas para as três da constelação de Alfa Centauri.

Pode ver também em: Pallab Ghosh
Role, Correspondente de ciência da BBC News

1280px-The_Orion_Nebula Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Nebulosa de Órion, o berçário de formação estelar mais próximo de nós, a cerca de 1 500 anos-luz em direção à constelação homônima, pode ser vista a olho nu. Seu brilho provém das estrelas recém-nascidas em seu interior.

O que realmente sabemos sobre a existência de vida em outros planetas?

Há algumas descobertas científicas que fazem muito mais do que avançar o nosso conhecimento: elas criam uma mudança na nossa psique, à medida que nos mostram a dimensão do Universo, e nosso lugar nele. Um destes momentos foi quando uma nave espacial enviou imagens da Terra pela primeira vez. Outro seria a descoberta de vida em outro planeta, um momento que parece estar mais perto de acontecer depois da notícia de que sinais de um gás, que na Terra é produzido por organismos marinhos simples, foram encontrados em um planeta chamado K2-18b. Agora, a perspectiva de realmente encontrar vida alienígena, o que significa que não estamos sozinhos no Universo, não está muito distante, de acordo com o cientista que lidera a equipe que fez a detecção.

“É basicamente o máximo em termos de perguntas fundamentais, e podemos estar prestes a responder a essa pergunta”, diz Nikku Madhusudhan, professor do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Mas tudo isso gera ainda mais perguntas, incluindo: se for encontrada vida em outro planeta, como isso vai nos mudar como espécie?

1280px-ALMA_and_the_centre_of_the_Milky_Way Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
A Nasa estima que existam pelo menos 100 bilhões de planetas em nossa galáxia

Nossos ancestrais criaram há muito tempo histórias de seres que poderiam habitar os céus. No início do século 20, astrónomos acharam que podiam ver canais em linha reta na superfície de Marte, levantando a especulação de que um dos nossos planetas mais próximos poderia ser o lar de uma civilização avançada: uma ideia que gerou uma rica cultura de ficção científica, envolvendo discos voadores e pequenos alienígenas verdes. Isso aconteceu numa época em que os governos ocidentais propagavam o medo em relação à disseminação do comunismo, de modo que os visitantes do espaço sideral eram, na maioria das vezes, retratados como ameaça, trazendo perigo, em vez de esperança. Mas, décadas depois, o que foi descrito como “a evidência mais forte até agora” de vida em outro mundo veio, não de Marte nem de Vénus, mas de um planeta a centenas de triliões de quilómetros de distância, orbitando uma estrela longínqua. Parte do desafio quando se trata de pesquisar a existência de vida extraterrestre é saber onde procurar. Até relativamente pouco tempo atrás, o foco da busca da Nasa, a agência espacial americana, era Marte, mas isso começou a mudar em 1992 com a descoberta do primeiro planeta orbitando outra estrela fora do nosso Sistema Solar.

1280px-James_Webb_Space_Telescope_Mirrors_Will_Piece_Together_Cosmic_Puzzles_%2830108124923%29 Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
O espelho principal do James Webb na enorme sala do Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland.

Embora os astrónomos suspeitassem da existência de outros mundos ao redor de estrelas distantes, não havia provas até aquele momento. Desde então, foram descobertos quase 6 mil planetas fora do nosso Sistema Solar. Muitos são gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno no nosso Sistema Solar. Outros são muito quentes ou frios demais para conter água líquida, considerada essencial à vida. Mas muitos estão numa zona que os astrónomos chamam de “Cachinhos Dourados”, em que a distância é “simplesmente perfeita” para abrigar vida. Madhusudhan acredita que pode haver milhares na nossa galáxia.

Tecnologia incrivelmente ambiciosa

À medida que esses chamados exoplanetas foram sendo descobertos, os cientistas começaram a desenvolver instrumentos para analisar a composição química de suas atmosferas. A ambição deles era impressionante, alguns diriam audaciosa. A ideia era capturar a pequena quantidade de luz estelar que atravessava as atmosferas desses mundos distantes, e estudá-las em busca de impressões digitais químicas de moléculas que, na Terra, só podem ser produzidas por organismos vivos, as chamadas bioassinaturas. E eles conseguiram desenvolver esses instrumentos para telescópios terrestres e espaciais.

1280px-James_Webb_Space_Telescope_Launch Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Lançamento do James Webb a bordo do Ariane 5.

O Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) da Nasa, que detectou o gás no planeta K2-18b na descoberta desta semana, é o telescópio espacial mais poderoso já construído, e seu lançamento em 2021 gerou a expectativa de que a busca por vida extraterrestre estava finalmente ao alcance da humanidade. Mas o JWST tem suas limitações — ele não consegue detectar planetas distantes tão pequenos quanto o nosso ou tão próximos de suas estrelas-mãe, por causa do brilho.

1280px-Artist%27s_Concept_of_Exoplanet_OGLE-2005-BLG-390L_b Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
OGLE-2005-BLG-390Lb é um planeta gelado.

Por isso, a Nasa está a criar o Observatório de Mundos Habitáveis (HWO, na sigla em inglês), previsto para a década de 2030, que será capaz de detectar e coletar amostras das atmosferas de planetas semelhantes ao nosso. (Isso é possível usando o que é efetivamente um escudo solar de alta tecnologia que minimiza a luz da estrela que o planeta orbita). Também vai entrar em operação no final desta década o Telescópio Extremamente Grande (ELT, na sigla em inglês) do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), que vai ficar em terra, observando o céu cristalino do deserto chileno. Ele possui o maior espelho de todos os instrumentos já construídos, com 39 metros de diâmetro, e, por isso, consegue ver muito mais detalhes nas atmosferas planetárias do que seus antecessores.

Mais descobertas, mais perguntas

Madhusudan espera, no entanto, ter dados suficientes dentro de dois anos para demonstrar categoricamente que realmente descobriu as bioassinaturas em torno do K2-18b. Mas mesmo que ele alcance seu objetivo, isso não vai gerar grandes comemorações sobre a descoberta de vida em outro planeta. Em vez disso, será o início de outro acirrado debate científico sobre se a bioassinatura poderia ser produzida por meios não vivos. No entanto, à medida que mais dados forem coletados de mais atmosferas, e os químicos não conseguirem encontrar explicações alternativas para as bioassinaturas, o consenso científico vai mudar lenta e gradualmente para a probabilidade de que a vida exista em outros mundos, de acordo com Catherine Heymans, professora da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

“Com mais tempo nos telescópios, os astrônomos vão ter uma visão mais clara das composições químicas dessas atmosferas. Você não vai saber que se trata definitivamente de vida. Mas acho que quanto mais dados forem acumulados, e se observarmos isso em vários sistemas diferentes, e não apenas neste planeta em particular, vamos ter mais confiança.”

1280px-Curiosity_Self-Portrait_at_%27Big_Sky%27_Drilling_Site Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Autorretrato do Curiosity, realizado aos pés do Monte Sharp em 6 de outubro de 2015.

A World Wide Web surgiu a partir de uma série de avanços tecnológicos graduais que não pareceram necessariamente de grande importância na época. Da mesma forma, as pessoas podem se dar conta de que possivelmente a maior transformação científica, cultural e social de toda a história da humanidade aconteceu, mas que o momento em que a balança pendeu em termos da existência de vida lá fora não foi totalmente reconhecido na época. Uma descoberta muito mais definitiva seria descobrir vida em nosso próprio Sistema Solar usando naves espaciais robóticas contendo laboratórios portáteis. Qualquer “inseto” de outro planeta poderia ser analisado e, possivelmente, até trazido de volta à Terra, fornecendo evidências prima facie para, pelo menos, limitar significativamente qualquer resistência científica que possa surgir. A defesa científica da possibilidade de vida ou de vida passada em nosso próprio Sistema Solar aumentou nos últimos anos, de acordo com os dados enviados por várias naves espaciais, de modo que uma série de missões para procurar sinais de vida extraterrestre estão a caminho. O rover ExoMars da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), previsto para ser lançado em 2028, vai perfurar a superfície de Marte para procurar sinais de vida passada e possivelmente presente. No entanto, dadas as condições extremas de Marte, a descoberta de vida passada fossilizada é o resultado mais provável.

A missão Tianwen-3 da China, também prevista para ser lançada em 2028, foi projetada para coletar amostras e trazê-las de volta à Terra até 2031. A Nasa e a ESA têm naves espaciais a caminho das luas geladas de Júpiter para verificar se há água, possivelmente vastos oceanos, sob sua crosta congelada. As espaçionaves não foram projetadas para encontrar vida propriamente dita. Em vez disso, essas missões vão preparar o terreno para futuras missões que vão fazer isso, de acordo com Michele Dougherty, professora da Universidade Imperial College London, no Reino Unido.

“É um processo longo e lento”, diz ela. “A próxima decisão a ser tomada seria sobre o módulo de pouso, para qual lua ele iria, e onde deveríamos pousar.”

“Não queremos pousar num local onde a crosta de gelo é tão espessa que não há como acessar abaixo da superfície. Portanto, é uma ambição longa e lenta, mas é muito emocionante durante o percurso”.

1280px-Kepler-62f_with_62e_as_Morning_Star Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Representação artista de Kepler-62f, um exoplaneta potencialmente habitável descoberto usando dados transmitidos pela sonda Kepler.

A Nasa também está a enviar uma nave espacial chamada Dragonfly para pousar numa das luas de Saturno, Titao, em 2034. Trata-se de um mundo exótico com o que acredita-se serem lagos e nuvens feitos de substâncias químicas ricas em carbono, que conferem ao planeta uma estranha névoa alaranjada. Além da água, acredita-se que essas substâncias químicas são ingredientes necessários para a vida. Dougherty é uma das principais cientistas planetárias em sua área. Será que ela acha que existe vida em uma das luas geladas de Júpiter ou Saturno?

“Eu ficaria muito surpreendida se não houvesse”, diz ela, radiante de alegria.

“São necessárias três coisas: uma fonte de calor, água líquida e substâncias químicas orgânicas (à base de carbono). Se tivermos esses três ingredientes, as chances de que a vida possa se formar aumentam drasticamente.”

Reduzindo a ‘singularidade’ humana

Ganymede_g1_true-edit1 Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas na nossa galáxia?
Fotografia de Ganímedes pela Galileo em 1996.

Se for constatada a existência de formas de vida simples, isso não é garantia de que existam formas de vida mais complexas. Madhusudhan acredita que, se confirmada, a vida simples deve ser “bastante comum” na galáxia. “Mas passar desta vida simples para a vida complexa é um grande passo, e essa é uma questão em aberto. Como esse passo acontece? Quais são as condições que regem isso? Não sabemos. E passar daí para a vida inteligente é outro passo enorme.”

Robert Massey, que é vice-diretor executivo da Royal Astronomical Society, concorda que o surgimento de vida inteligente em outro planeta é muito menos provável do que de vida simples.

“Quando observamos o surgimento da vida na Terra, ele foi muito complexo. Levou muito tempo para que a vida multicelular surgisse, e depois evoluísse para diversas formas de vida.”

“A grande questão é se havia algo na Terra que tornou essa evolução possível. Será que precisamos exatamente das mesmas condições, do nosso tamanho, dos nossos oceanos e massas de terra para que isso aconteça em outros mundos, ou será que isso vai acontecer independentemente disso?”

Ele acredita que a descoberta de vida alienígena, mesmo simples, seria o capítulo mais recente da diminuição do lugar da humanidade no cosmos. Como ele diz, séculos atrás, acreditávamos estar no centro do Universo e, a cada descoberta astronómica, nos vemos “mais deslocados” em relação a esse ponto. “Acho que a descoberta de vida noutro lugar reduziria ainda mais nossa singularidade”, diz ele.

Dougherty, por outro lado, acredita que uma descoberta deste tipo em nosso próprio Sistema Solar seria boa para a ciência e para a alma.

“A descoberta de vida, mesmo que simples, vai nos permitir entender melhor como podemos ter evoluído há milhões de eras, quando começamos a evoluir. Então, para mim, isso está nos ajudando a encontrar nosso lugar no Universo.”

“Se soubermos que existe vida em outros lugares do nosso Sistema Solar e, potencialmente, além dele, [isso] vai ser de alguma forma reconfortante para mim, pois saber que somos parte de algo maior vai nos tornar maiores.”

Nunca antes os cientistas procuraram tanto por vida em outros planetas, e nunca antes tiveram ferramentas tão incríveis para fazer isso. E muitos que trabalham na área acreditam que é uma questão de quando, e não de se, vão descobrir vida em outros planetas. E, em vez de trazer medo, a descoberta de vida extraterrestre vai trazer esperança, de acordo com Madhusudhan.

“Quando olharmos para o céu, não veremos apenas objetos físicos, estrelas e planetas, mas um céu vivo. As ramificações sociais disso são imensas. Será uma enorme mudança transformacional na maneira como nos vemos no cenário cósmico.”

“Isso vai mudar fundamentalmente a psique humana na forma como vemos a nós mesmos e uns aos outros, e todas as barreiras, linguísticas, políticas, geográficas, vão se dissolver, à medida que percebermos que somos todos um. E isso vai nos aproximar”, ele acrescenta.

“Será mais um passo na nossa evolução.”

Pode também acompanhar em https://www.bbc.com/

jOSé caLEIro para MMH – 17-04-2025

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