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A localização da cidade perdida de Atlântida continua a conquistar cientistas, artistas e conspiradores. E há mais um lugar na extensa lista de possibilidades: Marrocos. É um dos mistérios (ou enigmas, ou mitos, ou lendas) mais antigos da humanidade. Existiu? Onde era? Como era? A Cidade Perdida de Atlântida apoderou-se da mente dos conspiradores, absorveu a atenção dos cientistas e inspirou a imaginação dos artistas. Conta a lenda que a Ilha foi engolida pelo Oceano Atlântico, enterrando no mar os seus habitantes e pertences: um império abundante e fasto que ninguém sabe onde se localizava. Mas terá sido mesmo assim? Não faltam teorias.

A mais recente pertence a Mark Adams. No livro “Meet me in Atlantis: My Obsessive Quest to Find the Sunken City”, o escritor defende que a Cidade de Atlântida ficava na costa de Marrocos, e estaria de alguma forma relacionada com a travessia do mar Vermelho, descrita na Bíblia. A entrevista a Adams foi realizada pela National Geographic. As cidades perdidas sempre apaixonaram Mark Adams. O escritor confessa que “o facto de que alguém podia realmente procurar por Atlântida e ser levado a sério era estranho”, até se ter cruzado com Platão numa livraria onde trabalhava. Foi o filósofo grego que inflamou as perguntas sobre Atlântida. Na obra “Diálogos”, a personagem batizada como Critias descreve imensos detalhes sobre a cidade perdida, nomeadamente sobre o seu aspeto e localização relativa, e decide partilhá-los com Timateus, que está numa busca aflitiva por respostas sobre o universo. A teoria da localização em Marrocos surgiu quando Mark Adams entrou em contato com um especialista em computadores alemão chamado Michael Hübner, que recolheu todos as pistas deixadas por Platão sobre a localização da Atlântida. Esse cruzamento de dados geográficos concluiu que ficaria algures numa área num raio a 4.828 quilómetros de Atenas, na Grécia. De facto, na história do filósofo existe uma guerra em que Atenas derrota Atlântida. E, de acordo com a própria obra, Hübner teorizou que a cidade perdida estaria a sul de Casablanca. A partir daí o informático e o escritor viajaram até ao deserto em busca dos círculos concêntricos pretos e vermelhos que Platão descreve no livro. “E eis que surgem os círculos concêntricos, à beira do deserto, a apenas alguns quilómetros do Oceano Atlântico”, conta Adams. Mas esta é apenas uma de outras três localizações possíveis para a cidade perdida de Atlântida. Santorini, no Mar Egeu, tem evidências arqueológicas que realçam a hipótese desta localização. No centro da ilha grega existe mesmo um círculo com anéis em redor e um vulcão que deverá ter entrado em erupção em tempos ancestrais. Outras hipóteses são Tartessos, a sul de Espanha, uma cidade naval com características semelhantes às dadas por Platão, e Malta, no Mar Mediterrâneo, cuja cultura ancestral terá sido destruída por um tremor de terra seguido de tsunami.

Olof Rudbeck revela a “verdadeira” Atlântida, rodeada pelos seus antecessores, Hesíodo, Platão, Aristóteles, Apolodorus, Tácito, Ulisses, Ptolomeu, Plutarco e Orfeu, gravura do Atland eller Manheim, c. 1680

Mark Adams chegou também a estas cidades, com a ajuda dos seus amigos Tony O’Connell e Paul Evans. Quando foram obrigados a mudar-se para Dublin, Tony decidiu mesmo preencher o seu tempo a pesquisar aprofundadamente alguns registos sobre a Atlântida. Como não encontrou nenhum local onde pudesse compilar o seu material, criou a Atlantipedia. Mas de onde vem a relação entre a cidade perdida e os relatos do Êxodo publicados na Bíblia Sagrada? Os dados bíblicos estão em conformidade com a erupção vulcânica de Atlântida. Tudo, desde as dez pragas até à água transformada em sangue. “Se se conhecer o que acontece durante uma explosão vulcânica, sabe-se que ela pode ser transformada das dez pragas que caíram sob o Egipto”, diz Mark Adams. Além disso, a separação do Mar Vermelho não é um disparate total. “Tanto quanto se sabe, quando se dá um tsunami, o mar retrocede”. Isto pode ter sido o que aconteceu aos judeus, quando tentaram passar em segurança. Os egípcios foram então mortos quando o mar regressou ao seu lugar. “Seria uma coincidência incrível se todas estas coisas tivessem acontecido por coincidência”, considera o escritor.

Para Mark Adams, a mensagem de Platão é simples: “O tempo é cíclico e até uma civilização poderosa, técnica e avançada como Atlântida pode vir a ser aniquilada”. Em Casablanca?

Mas lembremos algumas das teorias sobre a Atlântida perdida, uns mais científicos, outros mais efabulados.

Teoria Platónica

Para o filósofo grego, a cidade perdida de Atlântida estaria localizada depois das colunas de Hércules, no estreito de Gibraltar, numa região chamada Quadrilátero de Canais. Platão descreve-a da seguinte forma:

“Havia montanhas numerosas, próximas à planície da cidade, ricas em habitantes, rios, lagos, florestas em tão grandes números de essências, tão variadas que davam abundância de materiais próprios para todos os trabalhos possíveis. (…) O fosso recebia os cursos d’água que desciam das montanhas, fazia a volta à cidade, e de lá, ia esvaziar-se no mar.”

O relato faz crer que a cidade seria próximo do mar. Pode ler-se ainda “é difícil crer que a obra tenha saído das mãos humanas”.

Esta ilha, localizada para além das Colunas de Hércules, é dedicada a Poseidon e, depois de ter vivido uma idade de ouro pacífica, gradualmente evolui para uma talassocracia conquistadora cuja expansão é interrompida por Atenas, antes que a ilha seja engolida pelas ondas num cataclismo causado pela instigação de Zeus. Se o mito foi pouco comentado e teve pouca influência durante a antiguidade, despertou um crescente interesse do Renascimento. Para além do seu âmbito filosófico e político, desde então deu origem a muitas hipóteses. Alguns autores afirmam que a Atlântida é um lugar que realmente existiria e que seria possível localizar. Ao mesmo tempo, a Atlântida inspira muitas interpretações esotéricas, alegóricas ou patrióticas que deram origem a uma literatura abundante.

Teoria de Tântalis

Atlas é o nome do titã que inspirou o nome da cidade perdida. Atlântida seria uma versão da cidade de Tântalis, que deriva por sua vez do nome do rei de Síbilo (Turquia), Tântalo. Ora, esta cidade estaria localizada em Arzawa, na península de Anatólia, uma área conhecida hoje como Ásia Menor. As escrituras clássicas afirmam que Tântalis sucumbiu a um terramoto que desfez montanhas e fez desabar o lugar nas águas da ravina Yarikaya, dando origem ao lago Saloe.

Teoria da Antártida

Nos anos sessenta, Charles Hapgood queria entender como se desenvolveu a era glaciar e teorizou que a acumulação de gelo nos calotes polares podia causar um peso capaz de mover a terra de tal modo que alguns continentes passaram pela era glaciar num sistema rotativo. Então, o jornalista britânico Graham Hancock veio causar polémica: o continente da Antártida não era mais que a ilha da Atlântida na sua era glaciar. E todas as cidades estariam enterradas no gelo polar.

Teoria do Profeta Adormecido

Edgar Cayce dizia ser capaz de ver o futuro e comunicar com os mortos. Durante o século XIX, Cayce identificou centenas de pessoas que seriam atlantes reencarnados. Para ele, a Atlântida estava localizada na Ilha Bimini, nas Bermudas. A dita civilização utilizava “cristais de fogo” para obter energia. Um dia, o processo saiu do controlo e desencadeou um acidente nuclear que afundou Atlântida. Mas esta energia continua ativa a interferir com os barcos, sendo responsável pelo temeroso Triângulo das Bermudas.

Teoria do Antigo Continente

A teoria brasileira do cientista Arysio Nunes dos Santos assume que existem diversas civilizações na atualidade que descenderam dos atlantes. Uma cidade localizada na Indonésia seria o berço dos gregos, hindus e tupis e teria sido criado as principais técnicas agrícolas e do cavalo.

Teoria Extraterrestre

Ezra Floid partiu dos círculos concêntricos de Platão para chegar com uma nova teoria: Atlântida é uma gigantesca nave espacial em forma de disco movido a hidrogénio com uma usina a que chama Tempo de Poseidon. O disco voador estava na Terra para colonizar o planeta e, por isso, viajava para vários pontos. E era por isso que muitos a dizem ter visto na Indonésia, nas Bermudas, no Atlântico (Açores) ou nos polos. Até que se afundou propositadamente no fundo do mar e ali permaneceu, até lançar um feixe de hidroenergia de emersão para se lançar ao espaço. Foi este processo que desencadeou um tsunami circular.

O mais famoso mapa de Atlântida foi desenhado pelas mãos de um matemático alemão do século XVII chamado Athanasius Kircher. O jesuíta desenhou-o no Oceano Atlântico, mas ninguém tem perceção sobre se a localização foi baseada em dados credíveis. Cristóvão Colombo também desenhou um mapa da cidade perdida.

Mapa fantasioso de Atlantis (1678) por Athanasius Kircher, Mundus Subterraneus (norte está abaixo).

No início do século XXI, os investigadores continuam divididos, entre os defensores de uma Atlântida de pura ficção (a maioria na investigação científica) e os de uma leitura do relato de Platão baseada em acontecimentos reais. A Atlântida continua a ser um tema fértil na arte e na literatura, especialmente hoje em dia, em géneros relacionados com o maravilhoso e o fantástico, como fantasia, peplum ou ficção científica.

Na Atlântida, nas montanhas ao centro da ilha, vivia uma jovem órfã de nome Clito. Conta a lenda que Posídon ter-se-ia apaixonado por ela e, para poder coabitar com o objeto da sua paixão, teria erguido uma barreira constituída por uma série de muralhas de água e fossos aquíferos em volta da morada da sua amada. Desta maneira viveram por muitos anos, e desta relação nasceram cinco pares de gêmeos. Ao mais velho, o deus dos mares chamou Atlas. Após dividir a ilha em dez áreas circulares, o deus dos mares concedeu supremacia a Atlas, dedicando-lhe a montanha de onde Atlas espalhava o seu poder sobre o resto da ilha. Em cada um dos distritos (anéis terrestres ou cinturões), reinavam as monarquias de cada um dos descendentes dos filhos de Clito e Posídon. Reuniam-se uma vez por ano no centro da ilha, onde o palácio central e o templo a Posídon, com os seus muros cobertos de ouro, brilhavam ao sol. A reunião marcava o início de um festival cerimonioso em que cada um dos monarcas se dispunha à caça de um touro. Uma vez caçado o touro, beberiam do seu sangue e comeriam da sua carne, enquanto sinceras críticas e cumprimentos eram trocados à luz do luar. Atlântida seria uma ilha de extrema riqueza vegetal e mineral. Não só era a ilha magnificamente prolífica em depósitos de ouro, prata, cobre, ferro, etc., como ainda de oricalco, um metal que brilhava como fogo. Os reis de Atlântida construíram inúmeras pontes, canais e passagens fortificadas entre os seus cinturões de terra, cada um protegido com muros revestidos de bronze no exterior e estanho pelo interior. Entre estes brilhavam edifícios construídos de pedras brancas, pretas e vermelhas. Tanto a riqueza e a prosperidade do comércio, como a inexpugnável defesa das suas muralhas se tornariam imagens de marca da ilha. Pouco mais se sabe da Atlântida. Segundo Platão, foi destruída por um desastre natural (possivelmente um terremoto ou Tsunami) cerca de 9000 anos antes da sua era.

Crê-se ainda que os atlantes teriam sido vítimas das suas ambições de conquistar o mundo, acabando por ser dizimados pelos atenienses.

Outra tradição completamente diferente chega-nos por Diodoro da Sicília, segundo o qual os atlantes seriam vizinhos dos líbios e teriam sido atacados e destruídos pelas amazonas.

Segundo outra lenda, o povo que habitava a Atlântida era muito mais evoluído que os outros povos da época e, ao prever a destruição iminente, teria emigrado para a África, sendo os antigos egípcios descendentes dos atlantes.

Na cultura pop do século XX, muitas histórias em banda-desenhada, filmes e desenhos animados retratam a Atlântida como uma cidade submersa, povoada por sereias ou outros tipos de humanos subaquáticos.

Teorias e hipóteses sobre a sua existência

O tema Atlântida tem dado origem a diferentes interpretações, das céticas às mais fantasiosas. Segundo alguns autores mais céticos, tratar-se-ia de uma metáfora referente a uma catástrofe global (identificada, ou não, com o dilúvio), que teria sido assimilada pelas tradições orais de diversos povos e configurada segundo as suas próprias particularidades culturais. Consideram também que a narrativa se insere numa dada mitologia que pretendia explicar as transformações geográficas e geológicas devidas às transgressões marinhas.

Hipóteses sobre a localização geográfica

Há diversas correntes de teóricos sobre onde se situaria Atlântida, e sobre quem teriam sido os seus habitantes. A lenda que postula Atlântida, Lemúria e Mu como continentes perdidos, ocupados por diferentes raças humanas, ainda encontra bastante aceitação popular, sobretudo no meio esotérico (não confundir com os antigos continentes que, de acordo com a teoria da tectónica de placas existiram durante a história da Terra, como a Pangeia e o Sahul). Alguns teóricos sugerem que Atlântida seria uma ilha sobre a Dorsal Oceânica que – no caso de não ser hoje parte dos Açores, Madeira, Canárias ou Cabo Verde – teria sido destruída por movimentos bruscos da crosta terrestre naquele local. Essa teoria baseia-se em supostas coincidências, como a construção de templos em forma de pirâmide na América, semelhantes às pirâmides do Egito, facto que poderia ser explicado com a existência de um povo no meio do oceano que separa estas civilizações, suficientemente avançado tecnologicamente para navegar até à África e à América para disseminar os seus conhecimentos. Esta posição geográfica explicaria a ausência concreta de vestígios arqueológicos sobre este povo. No Google Earth podemos encontrar em 31º30’39.44″N 24º29’13.84″O um esqueleto da qual poderia ser Atlântida a 700 km a sudoeste da Ilha da Madeira.

Alguns estudiosos dos escritos de Platão acreditam que o continente de Atlântida seria na realidade a própria América, e seu povo culturalmente avançado e coberto de riquezas seria o povo Chavín, da Cordilheira dos Andes, ou os olmecas da América Central, cujo uso de ouro e pedras preciosas é confirmado pelos registros arqueológicos. Terramotos comuns nestas regiões poderiam ter dado fim a estas culturas, ou pelo menos abalado de forma violenta por um período de tempo. Através de diversos estudos, alguns investigadores chegaram à conclusão que Tiwanaku, localizada no planalto boliviano, seria a antiga Atlântida. Essa civilização teria existido de 17.000 a.C. a 12.000 a.C. numa época em que a região era navegável. Foram encontrados portos de embarcações em Tiwanaku, faltando escavar 97,5% do local. Para alguns arqueólogos e historiadores, Atlântida poderia ser uma mitificação da cultura minoica, que floresceu na ilha de Creta até ao final do século XVI. Os ancestrais dos gregos, os micénicos, tiveram contacto com essa civilização culturalmente e tecnologicamente muito avançada no início do seu desenvolvimento na península Balcânica. Com os minoicos, os micénicos aprenderam arquitetura, navegação e o cultivo de oliveiras, elementos vitais da cultura helénica posterior. No entanto, dois fortes terremotos e maremotos no mar Egeu sopraram as cidades e os portos minoicos, e a civilização de Creta rapidamente desapareceu. É possível que as histórias sobre este povo tenham ganho proporções míticas ao longo dos séculos, culminando com o conto de Platão.

Uma formulação moderna da história da Atlântida e dos atlantes foi feita por Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Teosofia. No seu principal livro, A Doutrina Secreta, ela descreve em detalhe a raça atlante, o seu continente e as suas cultura, ciência e religião.

Existem alguns cientistas que remetem a localização da Atlântida a um local sob a superfície da Antártida. A localização mais recente foi sugerida pela imagem obtida com o Google Earth por um engenheiro aeronáutico e publicada no tabloide The Sun, mostrando contornos que poderão indicar a construção de edifícios numa vasta extensão com dimensões comparáveis ao País de Gales e situado no oceano Atlântico, numa área conhecida como o abismo plano da Ilha da Madeira.

A trilha é equipada com vários decks de observação. Num deles se tem a vista maravilhosa da cidade de Porto Cruz, na costa norte da ilha.

Rainer Kühne diz Atlantida foi Tartessos. Richard Freund, um arqueólogo da Universidade de Hartford, em Connecticut, diz que um tsunami inundou a antiga cidade. Apesar das suposições do engenheiro, a região assemelha-se muito às considerações de Crítias sobre o Quadrilátero, pela sua grandeza e suas ramificações. Há também, à frente dessa gigantesca estrutura, uma pequena geometria circular, dividida em quatro secções pelas ramificações que se cruzam, conforme as menções sobre os canais que envolviam a cidade, referidos no livro de Platão.

A Lenda do Reino de Atlântida e os Açores

A Lenda do Reino de Atlântida e os Açores é uma lenda dos Açores que tenta dar uma explicação para a existência do arquipélago. Muito antiga e de origem desconhecida, foi narrada por Platão, sendo já mencionada por este como uma história que lhe contaram.

Na antiguidade teria havido um imenso continente (Atlântida) no meio do Oceano Atlântico, em frente às Portas de Hércules. Essas portas, segundo mitos antigos, fechavam o mar Mediterrâneo onde actualmente se localiza o Estreito de Gibraltar. A Atlântida seria um lugar magnífico, com extraordinárias paisagens, um clima suave, grandes florestas de frondosas e gigantescas árvores, extensas planícies férteis, chegando a dar duas ou mais colheitas por ano, e animais mansos, saudáveis e fortes. Os habitantes desta terra paradisíaca chamavam-se atlantes e eram senhores de uma invejável civilização, considerada perfeita e rica. Tinha palácios e templos cobertos a ouro e outros metais preciosos como a prata e o estanho, e abundava o marfim. Produzia todo o tipo de madeiras tidas como preciosas, tinha minas de todos os metais. Dispunha de jardins, ginásios, estádios, boas estradas e pontes, e outras infraestruturas importantes para o bem estar dos seus cidadãos. A joalharia usada pelos atlantes seria feita com um material exótico e mais valioso que o ouro, apenas do conhecimento dos povos atlantes, que se chamava oricalco. A economia florescente proporcionava as artes, permitindo a existência de artistas, músicos e grandes sábios.

O império dos atlantes era formado por uma federação de 10 reinos que se encontravam debaixo da protecção de Posidão. Os seus povos eram tidos como exemplares no seu comportamento, e não se deixavam corromper pelo vício ou pelo luxo mas viviam num pleno e magnifico bem estar que o seu país perfeito lhe permitia. No entanto, não deixavam de praticar e de se ensaiar nas artes da guerra, visto que vários povos, movidos pela inveja e pela abundância dos atlantes, tentavam invadir a sua terra. Os combates de defesa foram tão bem sucedidos que surgiu o orgulho e a ambição de alargar os domínios do reino. Assim o poderoso exército atlante preparou-se para a guerra e aos poucos foi conquistando grande parte do mundo conhecido de então, dominando vários povos e várias ilhas em seu redor, uma grande parte da Europa Atlântica e parte do Norte de África. E só não teriam conquistado mais territórios porque os gregos de Atenas teriam resistido. Os seus corações até ali puros foram endurecendo com as suas armas. Nasceu o orgulho, a vaidade, o luxo desnecessário, a corrupção e o desrespeito para com os deuses. Posidão convocou então um concílio dos deuses para travar os atlantes. Nele foi decidido aplicar-lhes um castigo exemplar. Como consequência das decisões divinas começaram grandes movimentos tectónicos, acompanhados de enormes tremores de terra. As terras da Atlântida tremeram violentamente, o céu escureceu como se fosse noite, apareceu o fogo que queimou florestas e campos de cultivo. O mar galgou a terra com ondas gigantes e engoliu aldeias e cidades. Em pouco tempo Atlântida tinha desaparecido para sempre na imensidão do mar. No entanto, como fora possuidora de grandes montanhas, estas não teriam afundado completamente. Os altos cumes teriam ficado acima da superfície das águas e originado as nove ilhas dos Açores. Alguns dos habitantes da Atlântida teriam, segundo a lenda, sobrevivido à catástrofe e fugido para vários locais do mundo, onde deixaram descendentes.

A Atlântida na cultura popular

Antes de 1900, havia uma sobreposição entre épicos de versos que tratavam da queda da Atlântida e romances com uma pretensão de escrever, que agora são considerados pioneiros em ficção de género. Jules Verne ‘s’ ‘ 20.000 léguas submarinas’ ‘(1869/71) inclui uma visita ao Atlântico submerso a bordo do submarino do capitão Nemo’ ‘ Nautilus – com protagonistas caminhando por quilómetros sobre o fundo do mar até chegar às impressionantes ruínas afundadas, uma obviamente impossibilidade (Verne não estava ciente de pressão da água nas profundezas do oceano).

  • Queda de Atlântida, romance de Marion Zimmer Bradley e sua continuação imediata, Os Ancestrais de Avalon escrito por sua colaboradora Diane L. Paxson.
  • Vinte Mil Léguas Submarinas, romance de Julio Verne: No capítulo XI, o náutilo visita as ruínas de Atlântida.
  • Morte no Colégio, romance juvenil de Luis Eduardo Matta.
  • Atlantis, romance de David Gibbins.
  • Morte na Atlântida, romance de Clive Cussler.
  • É possível ver uma identificação da Númenor de Tolkien com Atlântida. Os dúnedain, dentre os quais se destaca Aragorn, eram descendentes dos Númenorianos. Aragorn se torna rei de Gondor, reino cujos reis descendiam de Númenorianos. O conto sobre a queda de Númenor tem o nome de Atalantë.
  • Robert E. Howard escreveu sobre Kull, rei da Atlântida. Os cimérios, dentre os quais se destaca Conan, eram descendentes dos atlantes.
  • Em As Crônicas de Nárnia, O Sobrinho do Mago, há anéis que, segundo um personagem, vieram de Atlântida.
  • No livro brasileiro A Batalha do Apocalipse, do autor Eduardo Spohr, há referência a esta civilização em contraposição com a civilização de Enoque. Neste universo fictício, esta civilização é destruída pelo Dilúvio.
  • Em Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida também do autor Eduardo Spohr, uma parte da historia se passa em uma ruína de uma ilha pertencente ao domínio dos atlantes, que veneravam as criaturas celestes, mas mesmo assim não teve o seu destino poupado pela tirania do Arcanjo Miguel, e foi destruída pelo Dílúvio.
  • O livro de Roseli von Sass, Atlântida: Princípio e Fim da Grande Tragédia, descreve os momentos que teriam antecipado o seu desaparecimento.
  • Em Lágrima (Teardrop), romance escrito pela autora Lauren Kate em 2013, é inspirado na cidade perdida de Atlântida, onde Eureka descobre que suas lágrimas têm o poder de afundar nosso atual continente, trazendo de volta Atlântida e sua civilização, reinadas pelo terrível Atlas.
  • No segundo livro da Série Teardrop, Díluvio, de Lauren Kate, o mundo se afoga nas lágrimas de Eureka, que juntamente de Ander e sua família, tentam impedir que Atlas ressurja, trazendo consigo o caos do continente perdido de volta.
  • Atlântida, o Continente Desaparecido (Atlantis, the lost continent), filme estadunidense de 1961, dirigido por George Pal.
  • Macgyver – o Tesouro Perdido de Atlântica filme estadunidense de 1994, dirigido por Michael Veijar; onde Macgyver e um professor de faculdade tentam procurar o tesouro perdido de Atlântida, que é o conhecimento.
  • O desenho animado Atlantis: The Lost Empire da Disney narra a redescoberta de Atlântida.
  • O anime Fushigi no umi no Nadia que é baseado no romance de Julio Verne.
  • Em Futurama, a Atlântida é formada pelos sobreviventes de Atlanta.
  • As séries televisivas Stargate SG-1 e Stargate Atlantis, retratam uma cidade criada pelos “Antigos”, que seriam o povo que construiu a cidade. Nesta série, “os Antigos” (os Atlantes) saíram da Terra, milhares de anos, em uma “Cidade Nave” chamada Atlantis e passam a viver em um planeta na galáxia de Pegasus.
  • No jogo Tomb Raider: The Atlantean Scion e em seu remake Lara Croft Tomb Raider Anniversary, a arqueóloga Lara Croft recupera um valioso artefacto nessa mesma ilha, mas esta última explode. Em Tomb Raider Underworld há referências à ilha da mesma forma.
  • A Lucas Arts produziu em 1992 o jogo Indiana Jones and The Fate of Atlantis, onde o herói impedia que artefatos atlantes caíssem em mãos nazistas.
  • Na série de Animes Yu-Gi-Oh! Duel Monsters na quinta temporada, aparece o antigo rei de Atlantis, Dartz que quer roubar as almas de humanos para ressuscitar seu deus, o grande Leviatan.
  • A Microsoft produziu em 2002 o jogo Age of Mythology e em 2003, Age of Mythology the Titans, em que se joga com um comandante atlante, Arkantos, em várias batalhas.
  • Também referida na banda desenhada Blake & Mortimer, edição de 1957, com o título em português O Enigma da Atlântida
  • No ano de 2000, a banda de prog metal Symphony X, lança o quinto álbum “V: The New Mythology Suite”.O álbum lida com a história de Atlântida, mitologia egípcia e astrologia.
  • No mangá Cavaleiros do Zodíaco The Lost Canvas, Atlântida seria a capital do Império de Posídon, e seria acessível por um caminho subterrâneo desde a Sibéria. Lá era guardado o Legado de Posídon, um fragmento de oricalco.
  • Na animação A Era do Gelo 4, de 2012, o personagem Scratch chega em um local onde faz várias referências à Atlantis.

Referências

Atlantis in John Clute and John Grant, eds., Encyclopedia of Fantasy (1997)

Ch.33, “A Lost Continent”

Kate, Lauren (2014). Dilúvio. [S.l.: s.n.]

 Observador 

José Caleiro para MMH

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