Hierarquias e Coros dos Anjos da Religião Católica Apostólica Romana, Parte3

Lista de posições na hierarquia católica

Na Idade Média, quando a hierarquia acima foi estabelecida, os pagãos (não crentes) e os infiéis (crentes de outra religião), eram vistos aos olhos da Igreja como forçosamente abaixo do fiéis (Grau = -1), enquanto os hereges, muçulmanos e judeus figuravam num patamar ainda mais baixo (Grau = -2) A tabela a seguir apresenta, de forma abrangente e concisa, os Títulos e Funções das posições hierárquicas da Igreja Católica, classificados segundo as Ordens religiosas a que pertencem. Também são apresentados os Graus hierárquicos de cada Título, segundo critério utilizado na Idade Média.

Só para relembrar vou fazer um resumo suscinto, a Igreja Católica tem uma estrutura hierarquizada porque Cristo instituiu-a para “apascentar o povo de Deus em seu nome, e para isso lhe deu autoridade”. A Igreja é formada por leigos, pelo clero, constituído por “ministros sagrados que receberam o Sacramento da Ordem”, e ainda por pessoas consagradas. Há certas tarefas, como a celebração da missa e os sacramentos (exceto o batismo em casos de extrema necessidade), que são exclusivos dos membros do clero. Podem distinguir-se entre aqueles que compõem o clero regular e o clero secular. O clero está organizado numa hierarquia ascendente, baseada nos 3 graus do Sacramento da Ordem (o Episcopado, o Presbiterido e o Diaconado), que vai desde o diácono simples, passando pelo padre, bispo, arcebispo, patriarca (em casos mais especiais) e cardeal, até chegar ao supremo cargo do Papa. Todos os ministros sagrados são homens, porque os doze apóstolos são todos homens e Jesus, na sua forma humana, também é homem. Mas isso não significa que o papel das mulheres na Igreja seja menos importante, mas apenas diferente. Exceto em alguns casos sobre padres ordenados pelas Igrejas Orientais ou difamadores, todos os clérigos são celibatários. A Igreja argumenta que todos os seus ministros sagrados, devido ao Sacramento da Ordem, são indiretos (no caso dos diáconos e sacerdotes) ou diretamente (no caso dos bispos e seus superiores) sucessores espirituais dos Doze Apóstolos, sendo o Papa o sucessor direto do Apóstolo Pedro. Daí a autoridade e a primazia de que o Papa goza.

Hierarquia contemporânea

A tabela abaixo , não exaustiva visa elucidar, as diversas atribuições dos fiéis católicos, segundo o critério da Idade Contemporânea.

Grupo Título Função Descrição
Episcopado      
  Papa   sumo pontífice, bispo de Roma, dirige a Igreja Católica
  Cardeal   membro do colégio cardinalício, elege o Papa
  Patriarca   prelado de uma Igreja Católica Oriental ou a mais elevada dignidade honorífica para uma diocese ou arquidiocese
  Arcebispo primaz   título de honra concedido pelo Papa a alguns prelados, geralmente o arcebispo da arquidiocese mais antiga do país/região
  Arcebispo metropolita   dirige uma arquidiocese metropolitana
  Bispo diocesano   dirige uma diocese
  Prelado   dirige uma prelazia territorial ou pessoal
Presbiterado      
  Monsenhor   título de honra concedido pelo Papa
  Vigário-geral   tem poder executivo da diocese, em nome do bispo
  Cónego   vive sob regra de vida, em catedrais e colégios
    Arcediago vigário que administra parte de uma diocese
    Decano ou Deão dirige uma universidade católica
    Mestre-escola dirige uma escola católica
  Cura   pároco de uma catedral
  Padre, Pároco   dirige uma paróquia
  Capelão   padre militar ou que dirige uma capela
Diaconato      
  Diácono   recebe o 1º grau da ordem, pode ser casado.
Ainda que não façam parte da hierarquia (quando não ordenados) os religiosos aqui estão expostos em sua organização hierárquica própria. E os leigos, segundo a possibilidade de exercício de alguns ministérios litúrgicos.
VidaConsagrada      
  Abade/Abadessa   Governa uma abadia ou mosteiro.
  Prior(esa)   Governa um priorado conventual, quando superior de uma comunidade e por isso é chamado de prior(esa) conventual. Prior(esa) simples quando dirirge uma communidade dependente de outra. E quando dirige a disciplina de uma comunidade, quando prior(esa) claustral.
  Religioso   frei/freira, monge/monja ou frade/frater de um convento ou mosteiro que professou votos perpétuos ou simples.
  Juniorista   frei/freira, monge/monja ou frade/frater de um convento ou mosteiro que professou votos temporários
  Noviço(a)   aquele(a) que se prepara para professar seus votos em uma ordem / congregação
Leigos     membros não clérigos da Igreja. São ministros leigos instituídos pela Igreja (pelo Bispo ou um Padre delegado por ele) o Acólito e o Leitor. Pelo fato destes ministérios, conforme decreto canônico (Canon 230 do Código de Direito Canônico), serem destinados apenas a homens, existem as formas extraordinárias, podendo nesta forma todos os leigos, homens e mulheres, desempenharem os ministérios de Leitor e Acólito.
  Acólito   auxiliar dos sacerdotes e diáconos nas celebrações litúrgicas.
  Leitor   leitor dos textos bíblicos e eclesiásticos nas celebrações litúrgicas.
  Ministro extraordinário da Comunhão   responsável por ministrar a Sagrada Comunhão Eucarística de forma extraordinária, ou seja, na ausência ou necessidade dos Presbíteros. O ministro ordinário é o Presbítero presidente da celebração da Eucaristia, o primeiro ministro extraordinário é o Padre concelebrante, depois os Diáconos, depois os Acólitos, depois os Sacerdotes presentes, mas não concelebrantes, depois os Leigos devida e previamente preparados para tal honra.

Hierarquia medieval

A tabela a seguir apresenta, de forma abrangente e concisa, os Títulos e Funções das posições hierárquicas da Igreja Católica, classificados segundo as Ordens religiosas a que pertencem. Também são apresentados os Graus hierárquicos de cada Título, segundo critério utilizado na Idade Média.

Categoria Ordem Grupo Título Função Descrição Grau
Ordens seculares         clero secular ou diocesano: votos simples; vida não enclausurada  
  Ordens maiores          
    Episcopado        
      Papa   sumo pontífice, bispo de Roma, dirige a Igreja 15
      Cardeal   membro do colégio cardinalício, elege o Papa 12
      Patriarca   prelado de importantes igrejas orientais 11 ½
      Arcebispo primaz   dirige a arquidiocese mais antiga da região 11 ½
      Arcebispo metropolita   dirige uma arquidiocese metropolitana  
      Prior   dirige uma ordem religiosa ou militar 10
      Bispo diocesano   dirige uma diocese 9
      Prelado   dirige uma prelazia territorial ou pessoal 8
    Presbiterado        
      Monsenhor   título de honra concedido pelo Papa 7 ½
      Vigário-geral   poder executivo da diocese, em nome do bispo 7 ½
      Vigário   exerce temporariamente funções de um prelado 7
      Cónego   vive sob regra, em cabidos (catedral) ou colégios (paróquia)  
        Arcediago vigário que administra parte de uma diocese 7 ½
        Decano ou Deão dirige uma universidade católica 7
        Chantre responsável pelo coro 6
        Mestre-escola dirige uma escola católica 6
      Cura   pároco de uma catedral 6
      Padre, Pároco   dirige uma paróquia 5
      Capelão   padre militar ou que dirige uma capela 4 ½
    Diaconato        
      Diácono   sem (ainda) ordem sacerdotal, pode ser casado 3
      Subdiácono   auxiliar do diácono (cargo extinto pelo Concílio Vaticano II) 2 ½
      Seminarista   cursa um seminário 1 ½
  Ordens menores       (extintas pelo Concílio Vaticano II)  
      Ostiário ou Porteiro   responsável pelas chaves ou sinos de uma igreja 2
      Leitor   responsável pela leitura da Bíblia 1 ½
      Acólito   auxiliar de sacerdotes e diáconos 2
      Exorcista   auxiliar de exorcismos 2
Ordens regulares         clero regular ou regrante: votos solenes, regras, vida enclausurada  
  Ordens monásticas       vivem em mosteiros (originalmente) rurais, mais enclausurados  
      Prior   dirige a ordem 10
      Abade, Abadessa   dirige um mosteiro 8
      Monge, Monja   membro (a) de um mosteiro 4
      Noviço, Noviça   candidato a monge/monja 2
  Ordens mendicantes       vivem em centros urbanos, menos enclausurados  
      Prior / Prioresa   dirige a ordem 10 / 7
      Frade / Madre superior(a)   dirige um convento 8 / 6
      Frade / Freira ou Sóror   membro (a) de um convento 4 / 2
      Noviço / Noviça   candidato(a) a frade/freira 2 / 1 ½
Leigos         membros não eclesiásticos da Igreja  
      Leitor   faz a leitura de textos nas missas 1 ½
      Diácono leigo   faz algumas celebrações, pode ser solteiro, casado ou viúvo 1
      Sacristão   auxiliar do pároco 1
      Coroinha   auxiliar do sacristão ½
      Fiel   professante da fé católica, sem função específica 0

Qual é o lugar do Ministério Exorcista

Francisco de Assis exorcizando os demónios de Arezzo (fresco de Giotto).

No Novo Testamento, Cristo expulsa demónios, Cristo deu aos seus discípulos o poder de comandar o demónio. Os seus discípulos tiveram assim o poder de expulsar demónios em seu nome e fazer milagres. Desde os primeiros dias da Igreja, o exorcismo foi confiado a muitos homens. Já em 251, foi mencionado como uma ordem por escritos antigos. O exorcista era um clérigo e todos os padres eram exorcistas. Desde a entrada em vigor do motu proprio do Papa Paulo VI Ministeria quaedam em 15 de Agosto de 1972, as funções anteriormente difamadas ordens menores são chamadas ministérios. Os ministérios do leitor e do acólito são preservados para toda a Igreja Latina, e este último pode, em certos lugares, no julgamento da conferência episcopal, ter o nome de sub-diaconato4. Além destas duas funções, as conferências episcopais estão autorizadas a propor à Santa Sé “aquelas que teriam julgado, por razões especiais, a instituição necessária ou muito útil na sua própria região. Esta categoria recai, por exemplo, nas funções de porteiro, exorcista e catequista, entre outros, confiados àqueles que são dedicados à caridade, quando este ministério não é conferido a diáconos.” A única conferência que demonstrou interesse foi a Conferência dos Bispos de França, mas sem apresentar propostas concretas. As comunidades (institutos de vida consagrada e sociedades da vida apostólica) que mantêm o que o motu proprio Summorum Pontificum de Bento XVI chama de forma extraordinária do rito romano ainda podem usar o Pontifício Romano em vigor em 1962 (dez anos antes do Ministeria quaedam) para conferir as ordens menores. Aqueles que recebem estas ordens menores permanecem nos laicos, porque se torna um clérigo apenas por ordenação diaconal.

O exorcista diocesano

Gradualmente, tornou-se claro para a Igreja que este ministério tinha que ser restaurado em seu lugar completo. Oficialmente nas 21 dioceses portuguesas, só uma tem um padre exorcista. Aqueles que acreditam no rito católico de expulsão do demónio de uma pessoa possuída consideram que a Igreja está a enfrentar uma “emergência pastoral”. Em Itália, por exemplo, relata-se que, nos últimos anos, os pedidos de ajuda espiritual aos padres exorcistas pelos fiéis que se sentiam sob possessão demoníaca triplicaram. O aumento dos crentes que procuram este tipo de ajuda está também a ocorrer noutros países europeus (como o Reino Unido) e nos EUA. Mas em Portugal, estes fiéis em perigo só encontrariam um padre exorcista no cargo autorizado pelo seu bispo, e numa diocese de geografia delimitada – a de Lamego. Na semana do 16 de Abril de 2018, cerca de 200 pessoas participaram ao longo dessa semana em Roma num curso intensivo de formação e aprendizagem do rito exorcista instituído e regulado pela Igreja Católica. Nessa segunda-feira, dia 16, o cardeal Ângelo Amato começou a trabalhar, perante uma plateia composta por padres, freiras e participantes com as mais diversas profissões. Todos os licenciados pagaram cerca de 283 euros para tirar o curso de uma semana proporcionado pelo Instituto dos Padres, um colégio católico reconhecido pelo Vaticano. Realizado anualmente pelos Padres, o Curso de Exorcismo e Oração de Libertação, assim chamado, vai já na 13ª edição e foi criado a pedido dos padres italianos, que confessaram não saber lidar com casos estranhos que pareciam ter a ver com posses demoníacas. O evento alcançou as centenas de participantes que atualmente reúne todos os anos para o passeio dos meios de comunicação que ganhou ao longo de mais de uma década. Mas as preocupações da comunidade religiosa também ajudaram à procura crescente. Benigno Palilla, um frade exorcista siciliano, apontava o dedo ao interesse acrescido no oculto há dias. “O número de pessoas prontas a recorrer ao curadoria, à bruxaria e a coisas como as cartas de tarô tem vindo a aumentar”, disse. E é aí que entra o demónio. O que Frei Palilla descreve é um fenómeno que, em Portugal, “tem vindo a crescer exponencialmente nos últimos 30 anos”, diz à (Jornal) VISÃO uma fonte eclesiástica, que pediu anonimato. “Render-se à superstição é uma atitude que abre portas ao demónio, que causará sérios distúrbios na pessoa que lhe foi confiada”, acrescenta. “Sem a liberdade humana, o diabo não pode ir além da tentação.” Mas estes são conceitos que os atuais bispos portugueses parecem estar a afastar-se. Foi escrito “foi” porque, segundo fonte eclesiástica contactada pela VISÃO, atualmente apenas uma diocese, a de Lamego, tem um padre exorcista no cargo, que se desdobra para ajudar os crentes da sua jurisdição espiritual (não o podem fazer fora dela) e outras partes do país, que se deslocam para conhecer este padre. É o cenário mais precário que a Igreja Portuguesa alguma vez apresentou neste particular – até há relativamente pouco tempo, estavam em funções mais dois padres exorcistas, nas dioceses de Viseu e Santarém, que foram desviados pelos seus bispos para outras tarefas. “A grande maioria, 95 por cento, dos pedidos de ajuda vem de pessoas que vão ao padre exorcista um pouco com a mesma atitude que aqueles que vão ao bruxo”, reconhece fonte eclesiástica contactada pela VISÃO. “Eles gostariam que a causa dos seus problemas fosse o diabo…” Ou seja, “não são loucos e não precisam de exorcismo.” Restam os 5% dos casos que se considera ser de possessão demoníaca que justifica o rito exorcista. Mesmo que não fosse, afirma, “pedir a ajuda espiritual de um padre é uma atitude muito razoável de um crente”.

Vertentes da Religião Católica Apostólica Romana

Cristianismo

Abraão

O cristianismo é uma religião abraâmica, originária do Próximo Oriente, baseada no ensino, pessoa e vida de Jesus de Nazaré, como interpretado pelo Novo Testamento. É uma religião de salvação considerando Jesus Cristo como o Messias anunciado pelos profetas do Antigo Testamento. A fé na ressurreição de Jesus está no coração do cristianismo porque significa o início de uma esperança de eternidade livre do mal. As primeiras comunidades cristãs nasceram no século I na Palestina e nas principais cidades da diáspora judaica como Roma, Éfal, Antioquia e Alexandria. O cristianismo desenvolveu-se a partir do século II no Império Romano, do qual se tornou a religião oficial no final do século IV, mas também na Pérsia, Índia e Etiópia. Na Idade Média, o cristianismo tornou-se a maioria na Europa, enquanto estava a diminuir face ao Islão no Médio Oriente. Tornou-se a religião mais importante do planeta devido à sua expansão na América a partir do século XVI e em África desde o século XX. Está presente mente presente em todos os países. Em 2015, o número total de cristãos no mundo é estimado em 2,4 mil milhões, tornando-se a religião com mais seguidores, à frente do Islão e do Hinduísmo. As igrejas cristãs estão agrupadas em diferentes ramos, o principal dos quais são o catolicismo, o cristianismo ortodoxo e o protestantismo (com o seu ramo evangélico) representando 51%, 11% e 37% do total de cristãos em 2017, respectivamente.

Catolicismo

A Igreja Católica, ou Igreja Católica, Apostólica e Romana, é a instituição que reúne todos os católicos, ou seja, todos os cristãos em comunhão com o Papa e os bispos. Além de ser todo batizado, é também uma instituição e um clero organizado hierárquica. Para os católicos, Jesus Cristo é o chefe da Igreja. É a maior Igreja Cristã com mais de um bilião de pessoas batizadas. A Igreja Católica é uma das instituições religiosas mais antigas do mundo. Desempenhou um papel fundamental na história e, em particular, na história do mundo ocidental. A teologia católica é resumida pelo símbolo de Niceia e caracteriza-se pela devoção à Divina Misericórdia e pela celebração dos sete sacramentos, o mais importante dos quais é a Eucaristia celebrada litúrgica durante a missa. De acordo com o seu próprio catecismo, a Igreja Católica é composta por uma parte visível, a Igreja militante, na terra, e uma parte invisível, a Igreja triunfante e a Igreja sofredora, no céu, que representam respectivamente as almas no Paraíso e as do Purgatório. A Igreja Católica na Terra vê-se como uma comunhão de igrejas particulares. Estes são todos totalmente a Igreja Católica, na medida em que estão em comunhão com o Papa, que é bispo de Roma e considerado o sucessor de São Pedro, e em comunhão uns com os outros. A Igreja Latina compreende a maioria dos católicos (pelo menos 98%), mas a Igreja Católica também inclui 23 Igrejas Católicas Orientais que estão em plena comunhão com o papa. A Igreja Católica está centralizada no Vaticano, mas os seus sínodos, assembleias de bispos, dioceses e paróquias locais asseguram a gestão e a vida da Igreja em todos os continentes. A Igreja Católica define-se como uma instituição que é humana e divina: “sociedade perfeita, apesar da imperfeição dos seus membros”.

Protestantismo

Martinho Lutero por Lucas Cranach, o Velho.

O protestantismo é um dos principais ramos do cristianismo, juntamente com o catolicismo e a Ortodoxia. Amplamente compreendido, o protestantismo é o conjunto de igrejas que vêm da Reforma. Nesta perspetiva, o protestantismo engloba vários movimentos, tais como luteranos, presbiterianos, reformados, metodistas, evangélicos (batismo, pentecostalismo, movimento carismático evangélico e cristianismo não-denominacional). Em 2011, todas estas igrejas compreendem cerca de 37% dos cristãos, ou 800 milhões de protestantes. A Reforma Protestante, também conhecida como A Reforma, iniciada no século XVI, é o desejo de voltar às raízes do Cristianismo e também, por extensão, a necessidade de olhar para a religião e a vida social de outra forma. Reflete a angústia das almas, através da questão da salvação, fulcral para o pensamento dos reformistas, que denunciam a corrupção de toda a sociedade gerada pelo comércio de indulgências. Os reformistas aproveitaram a ascensão da imprensa para fazer circular a Bíblia em línguas vernáculas (nomeadamente alemã após a primeira tradução de Martinho Lutero), e mostraram que não fazia qualquer menção aos santos, ao culto da Virgem, ou ao purgatório. A referência à Bíblia como norma é, no entanto, uma das principais motivações dos reformadores. Este princípio, da Sola scriptura, irá guiá-los. Iniciado em 31 de Outubro de 1517, por Martinho Lutero, então monge católico, no Império Santo e Ulrich Zwingli em Zurique, depois Martin Bucer em Estrasburgo e mais tarde Jean Calvin em Paris e Genebra, a Reforma afetou a maior parte do Noroeste da Europa. As tentativas de conciliação falharam, levando a uma divisão entre a Igreja Católica Romana e as igrejas protestantes. A Contrarreforma Católica iniciada no final do Concilio de Trento permitiu à Igreja Católica apenas uma recaptura parcial das populações que tinham ido para o protestantismo.