Misteriosa anomalia que enfraquece o campo magnético da Terra parece estar a dividir-se
O campo magnético da Terra é essencial à vida. Sem este escudo protetor, o planeta pode tornar-se num deserto sombrio e sem vida. As agências espaciais olharam muito de perto para o campo magnético. Novos dados de satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) revelam que a misteriosa anomalia que enfraquece o campo magnético da Terra continua a evoluir. De acordo com as observações mais recentes, em breve teremos de lidar com um estranho fenómeno novo, uma vez que a anomalia está a dividir-se.
Resumo
- 1 Campo magnético da Terra está mais fraco
- 2 A anomalia pode constituir um problema sério?
- 3 Os polos magnéticos da Terra mostram uma fase inquieta do campo magnético
Campo magnético da Terra está mais fraco
A anomalia Magnética do Atlântico Sul, AMAS ou SAA (do inglês, South Atlantic Anomaly) é uma região onde a parte mais interna da cintura de Van Allen tem a máxima aproximação com a superfície da Terra. Assim, esta anomalia corresponde a uma vasta extensão de intensidade magnética reduzida no campo magnético da Terra, que se estende da América do Sul ao sudoeste da África. Como o campo magnético do nosso planeta age como uma espécie de escudo – que protege a Terra dos ventos solares e da radiação cósmica, além de determinar a localização dos polos magnéticos – qualquer redução na sua força é um evento importante que as entidades responsáveis têm de vigiar. Isto, porque qualquer alteração no campo magnético pode ter implicações significativas para o nosso planeta.
A anomalia pode constituir um problema sério?
Atualmente, não há nada que seja alarmante ou problemático. No entanto, a ESA observa que os efeitos mais significativos neste momento estão, em grande parte, limitados a falhas técnicas em satélites e naves espaciais. Estes dispositivos podem ser expostos a uma maior quantidade de partículas carregadas na órbita baixa da Terra à medida que passam pela anomalia do Atlântico Sul, nos céus acima da América do Sul e do Oceano Atlântico Sul.
In an area stretching from Africa to South America, Earth’s magnetic field is gradually weakening. Scientists are using data from @esa_swarm to improve our understanding of this area known as the ‘South Atlantic Anomaly’ 👉 https://t.co/ZqTBA9DmX4 pic.twitter.com/klc5SS7zYo
— European Space Agency (@esa) May 20, 2020
Os polos magnéticos da Terra mostram uma fase inquieta do campo magnético
Como já demos a conhecer, a investigação mostrou que o campo magnético da Terra está constantemente num estado de fluxo, e a cada centenas de milhares de anos (mais ou menos), o campo magnético da Terra muda, com os polos magnéticos a norte e a sul a mudarem de lugar. Na verdade, este processo pode ocorrer mais frequentemente do que as pessoas pensam. Os cientistas continuam a investigar quando vamos testemunhar um novo evento, embora tudo ainda seja um mistério, mesmo os movimentos regulares e errantes dos polos magnéticos da Terra.
O que é certo, no entanto, é que a Anomalia do Atlântico Sul não é interrompida. Desde 1970, a anomalia tem crescido em tamanho, assim como movendo-se para oeste, a uma velocidade de aproximadamente 20 quilómetros por ano. Além disso, novas leituras fornecidas pelos satélites Swarm da ESA mostram que, nos últimos cinco anos, um segundo centro de intensidade mínima começou a abrir-se dentro da anomalia. Tais evidências sugerem que o processo de divisão em duas células separadas pode estar a tomar conta. Assim, os restos originais permanecem centrados no meio da América do Sul e uma nova célula emergente aparecerá no leste. Pairará na costa do sudoeste da África. Portanto, não se sabe exatamente como a anomalia se desenvolverá a partir de agora. No entanto, investigações anteriores sugeriram que ruturas de campos magnéticos, como esta, podem ser eventos recorrentes que ocorrem a cada centenas de anos.
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