Maçonaria

Maçonaria, forma reduzida e usual de franco-maçonaria, é uma sociedade secreta e filosófica, filantrópica, iniciática e progressista. Dentro da realidade atual, entretanto, a instituição não poderá ser considerada senão como sendo uma sociedade discreta. De caráter universal, cujos membros cultivam o aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia, igualdade, fraternidade e aperfeiçoamento intelectual. Seu adjetivo é o maçónico e maçónica.

A maçonaria é, portanto, uma sociedade fraternal, que admite todos os homens livres e de bons costumes, sem distinção de raça, religião, ideário político ou posição social. Suas principais exigências são que o candidato acredite em um princípio criador, tenha boa índole, respeite a família, possua um espírito filantrópico e o firme propósito de tratar sempre de ir em busca da perfeição, aniquilando seus vícios e trabalhando para a constante evolução de suas virtudes.

Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autónomas, designadas por oficinas, ateliers, ou lojas.

Existem no mundo aproximadamente 3,6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes: 1,5 milhão nos Estados Unidos (em 1965 eram cerca de 4 milhões); 250 mil na Inglaterra; 170 mil no Brasil e 1,6 milhão no resto do mundo (dados de 2008).

História

O termo maçom ou mação provém do inglês mason e do francês maçon, que quer dizer pedreiro, construtor. O termo “maçonaria” provém do francês franc-maçonnerie, que significa, de franc-maçon, tradução de “free mason”.

Estudiosos e pesquisadores costumam dividir a origem da maçonaria em três fases distintas.

    • Maçonaria Primitiva
    • Maçonaria Operativa
    • Maçonaria Especulativa

Maçonaria Primitiva

A Maçonaria Primitiva, ou “Pré-Maçonaria”, é o período que abrange todo o conhecimento herdado do passado mais remoto da humanidade até o advento da Maçonaria Operativa. Há quem busque nas primeiras civilizações a origem iniciática. Outras buscam no ocultismo, na magia e nas crendices primitivas a origem do sistema filosófico e doutrinário. Tantas são as controvérsias, que surgiram variadas correntes dentro da maçonaria. A origem mais aceita, segundo a maioria dos historiadores, é que a Maçonaria contemporânea descende dos antigos construtores de igrejas e catedrais, corporações formadas sob a influência da Igreja na Idade Média.

É evidente que a falta de documentos e registos dignos de crédito, envolve a maçonaria numa penumbra histórica, o que faz com que os fantasistas, talvez pensando em engrandecê-la, inventem as histórias sobre os primórdios de sua existência. Há vertentes afirmando que ela teve início na Mesopotâmia, outras confundem os movimentos religiosos do Egito e dos Caldeus como sendo trabalhos maçónicos. Há escritores que afirmam ser o Templo de Salomão o berço da Maçonaria.

O que existe de verdade é que a Maçonaria adota princípios e conteúdos filosóficos milenares, que foram adotados por instituições como as “Guildas” (na Inglaterra), Compagnonnage (na França), Steinmetzen (na Alemanha). O que a Maçonaria fez foi adotar todos aqueles princípios que eram abraçados por instituições que existiram muito antes da formação de núcleos de trabalho que passaram à história como o nome de Maçonaria Operativa ou de Ofício.

Maçonaria Operativa

A origem perde-se na Idade Média, se considerarmos as suas origens Operativas, ou seja, associação de cortadores de pedras verdadeiros, que tinha como ofício a arte de construção de castelos, muralhas etc.

Após o declínio do Império Romano, os nobres romanos afastaram-se das antigas cidades e levaram consigo camponeses para proteção mútua para se proteger dos bárbaros. Dando início ao sistema de produção baseado na contratação servil Nobre-Povo (Feudalismo).

Ao se fixar em novas terras, os nobres necessitavam de castelos para sua habitação e fortificações para proteger o feudo. Como a arte de construção não era nobre, deveria advir do povo e como as atividades agropecuária e de construção não guardavam nenhuma relação, uma nova classe surgiu: Os construtores, herdeiros das técnicas romanas e gregas de construção civil.

Outras companhias se formaram: artesão, ferreiro, marceneiros, tecelões, enfim, toda a necessidade do feudo era lá produzida. A maioria das guildas limitava-se no entanto às fronteiras do feudo.

Já as guildas dos pedreiros necessitavam mover-se para a construção das estradas e das novas fortificações dos Templários. Os demais membros do povo não tinham o direito de ir e vir, direito este que hoje temos e nos é tão cabal. Os segredos da construção eram guardados com incomensurável zelo, visto que, se caíssem em domínio público as regalias concedidas à categoria, cessariam. Também não havia interesse em popularizar a profissão de pedreiro, uma vez que o sistema feudal exigia a atividade agropecuária dos vassalos.

A Igreja Católica Apostólica Romana encontra neste sistema o ambiente ideal para seu progresso. Torna-se uma importante, talvez a maior, proprietária feudal, por meio da proliferação dos mosteiros, que reproduzem a sua estrutura. No interior dos feudos, a igreja detém o poder político, económico, cultural e científico da época.

Maçonaria Especulativa

Em 24 de junho de 1717 na Inglaterra é que tem verdadeiramente origem a Maçonaria, também denominada como “Maçonaria Especulativa”, por iniciativa dos pastores protestantes ingleses James Anderson e J. T. Desaguliers, que corresponde ao movimento iniciático tal e qual o conhecemos hoje em dia, e que é uma consequência do iluminismo, e um projetar daquilo que viria a ser mais tarde, a Revolução Industrial do século XIX, e a Revolução Francesa, juntamente com ordens como os iluminados da bavária e outras, ordens similares. Corresponde à segunda fase, que utiliza os moldes de organização dos maçons operativos juntamente com ingredientes fundamentais do suprarreferido pensamento iluminista, (mais tarde o nacionalismo segundo a escola alemã de filósofos como Kant, etc.), posterior ruptura da Igreja Romana apesar da ainda existente divisão da Igreja Católica, em relação à aceitação e à coexistência com a franco-maçonaria, que durante muito tempo era vista por esta como algo que poderia questionar a soberania da mesma e consequentemente a soberania do estado Vaticano e consequentemente do império Romano, com ela e a reconstrução física da cidade de Londres, berço da maçonaria regular. A Franco-Maçonaria esteve também envolvida no processo de colonização e descolonização dos EUA, do Brasil, e de outros países da América Latina.

Com o passar do tempo as construções tornavam-se mais raras. O feudalismo declinou dando lugar ao mercantilismo, com consequente enfraquecimento da igreja romana, havendo uma ruptura da unidade cristã advinda da reforma protestante.

Superada a tragédia da peste negra que dizimou a população europeia, teve início o Iluminismo no século XVIII, que defendia e tinha como princípio a razão, ou seja, o modo de pensar, de ter “luz”.

A Inglaterra surge como o berço da Maçonaria Especulativa regular durante a reconstrução da cidade após um incêndio de grandes proporções em sua capital Londres em setembro de 1666 que contou com muitos pedreiros para reconstruir a cidade nos moldes medievais.

Para se manter, foram aceitas outras classes de artífices e essas pessoas formaram paulatinamente agremiações que mantinham os costumes dos pedreiros nas suas reuniões, o que diz respeito ao reconhecimento dos seus membros por intermédio dos sinais característicos da agremiação.

Essas associações sobreviveram ao tempo. Os segredos das construções não eram mais guardados a sete chaves, eram estudados publicamente.Todavia o método de associação era interessante, o método de reconhecimento da maçonaria operativa era muito útil para o modelo que surgiu posteriormente. Em vez de erguer edifícios físicos, catedrais ou estradas, o objetivo era outro: erguer o “edifício social ideal”.

Conceitos

Oriente Eterno

Oriente Eterno ou Grande Loja Celestial é o título pelo qual a Maçonaria designa a habitação das almas após a morte. Ela não afirma se esta habitação é definitiva ou provisória, nem a descreve como um local ou um estado da alma. Esta definição teria por fim afirmar a crença dos maçons na vida após a morte, sem dogmatizar ou ter de escolher entre as várias formas em que isso seria possível.

Maçonaria e religião

A Maçonaria Universal, regular ou tradicional, é conduzida pela via sagrada, independentemente do seu credo religioso, trabalha na sua Loja sob a invocação do Grande Arquiteto do Universo, sobre o livro sagrado, o esquadro e o compasso. A tolerada presença de mais do que um livro sagrado no altar de juramento, reflete exatamente o espírito tolerante da maçonaria universal e regular.

Grande Arquiteto do Universo (G.:A.:D.:U.:), etimologicamente se refere ao principal Planejador e Criador de tudo que existe, inclusive do mundo material (demiurgo) independente de uma crença ou religião específica.

Assim, ‘Grande Arquiteto do Universo’ ou G.’.A.’.D.’.U.’. é a designação maçónica para um Ente superior, planeador e criador de tudo o que existe. Com esta abordagem, não se faz referência a uma ou outra religião ou crença, permitindo que muçulmanos, católicos, espíritas e outros, por exemplo, se reúnam numa mesma loja maçónica. Para um maçom de origem católica, por exemplo, G.’.A.’.D.’.U.’. o remete a Deus, enquanto que para um muçulmano se referiria a Allah que, afinal, também é Deus. Assim as reuniões em loja podem congregar irmãos de diversas crenças, sem invadir ou questionar seus conteúdos, porque não permite discussões de caráter religioso sectário.

Judaísmo e Maçonaria

Logo após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, ficou claro que a maçonaria alemã corria o risco de desaparecer.
Logo após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, ficou claro que a maçonaria alemã corria o risco de desaparecer

Muitos dos princípios éticos maçónicos foram inspirados pelo judaísmo ou melhor pelo Antigo Testamento. Os ritos e símbolos da maçonaria e outras sociedades secretas recordam: A reconstrução do Templo de Salomão, a estrela de David, o selo de Salomão, os nomes dos diferentes graus, como por exemplo: cavalheiro Kadosh (“Kadosh” em hebraico significa santo), Príncipe de Jerusalém, Príncipe do Líbano, Cavalheiro da Serpente de Airain etc.

A luz é um importante símbolo tanto no judaísmo como na maçonaria.

“Pois o preceito é uma lâmpada, e a instrução é uma luz”,
Provérbios 6, 23.

Um dos grandes feriados judaicos é o Chanukah ou Hanukkah, ou seja o Festival das Luzes, comemorando a vitória do povo de Israel sobre aqueles que tinham feito da prática da religião um crime punível pela morte ali pelo ano 165 a. E. V. (Os judeus substituem o antes de Cristo e o depois de Cristo pelo antes e depois da Era Vulgar). A Luz é um dos mais densos símbolos na maçonaria, pois representa (para os maçons de linha inglesa) o espírito divino, a liberdade religiosa, designando (para os maçons de linha francesa) a ilustração, o esclarecimento, o que esclarece o espírito, a claridade intelectual.

Outro símbolo compartilhado é o Templo de Salomão. Figura como uma parte central na religião judaica, não só, por ser o rei Salomão uma das maiores figuras de Israel, como o Templo representar o zénite da religião judaica. Na maçonaria, juntou-se a figura de Salomão, à da construção do Templo, pois os maçons são, simbolicamente, antes de tudo, construtores, pedreiros, geómetras e arquitetos. Os rituais maçónicos estão prenhes de lendas sobre a construção do Templo de Salomão. Para alguns, existem três Salomões: o Salomão maçónico, o bíblico e o histórico.

Outro aspecto comum, têm-se os esforços positivos na maçonaria e no judaísmo para encorajar o aprendizado. A cultura judaica tem uma larga tradição de impulsionar o maior número de judeus a se notabilizar pelo conhecimento nas artes, na literatura, na ciência, na tecnologia, nas profissões em geral. Durante séculos, os judeus têm-se destacado nos diversos campos do conhecimento humano e o seu empenho em melhorar suas escolas e seus centros de ensino demonstram cabalmente isto. Digno de notar-se é que as famosas escolas talmúdicas – as yeshivas vem do verbo lashevet, ou seja sentar-se. Deste modo para aprender é necessário sentar-se nos bancos escolares. Assim, também, na maçonaria, nota-se uma preocupação constante, cada vez maior, com o desenvolvimento intelectual dos seus epígonos, no fundo, não só como um meio de melhorar a sua escola de fraternidade e civismo como também para perpetuar os seus ideais e permanecer como uma das mais ricas tradições do mundo moderno. ”’

No início de 1934, logo após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, ficou claro que a maçonaria alemã corria o risco de desaparecer. Segundo as estimativas do Museu Alemão da Maçonaria em Bayreuth, esta literatura constituía o núcleo da investigação maçónica. Uma biblioteca que crescia de forma exponencial. Em 1930, na Alemanha, a coleção maçónica situar-se-ia nos 200.000 livros.. Os nazistas saquearam, a Grande Loja da Holanda e a Grande Loja da Noruega. Ocorreu o mesmo na Bélgica e em França.”

Os judeus eram vistos pelos nazistas como uma “ameaça” por seu suposto poder económico e pelas ideias que pregavam, como o liberalismo democrático. A Maçonaria,liberal e democrática, pregando a fraternidade entre os homens, assustava aos déspotas e fanáticos religiosos e políticos de todas as correntes.

Cronologia
  • 10 de Dezembro de 1934 – A Grande Loja Simbólica da Alemanha, dissolvida por Hitler, suspende seus trabalhos na Alemanha e prossegue-os em Jerusalém e Sarrebrucken.
  • 8 de Agosto de 1935 – Adolf Hitler decreta a dissolução da Maçonaria na Alemanha.
    • Os Templos maçónicos são saqueados, e muitos maçons alemães são presos e assassinados.
    • A Grande Loja de Hamburgo recebe asilo da Grande Loja de Chile onde continua seu trabalho maçónico.
  • 1 de Janeiro de 1938 – O partido nacional socialista de Hitler lança um manifesto contra à maçonaria

Catolicismo e Maçonaria

Papa Leão XIII, foi um adversário ferrenho da maçonaria

A Igreja Católica historicamente já se opôs de forma radical à maçonaria, devido aos princípios supostamente anticristãos, libertários e humanistas maçónicos. O primeiro documento católico que condenava a maçonaria data de 28 de abril de 1738. Trata-se da bula do Papa Clemente XII, denominada In Eminenti Apostolatus Specula.

Após essa primeira condenação, surgiram mais de 20 outras. O papa Leão XIII foi um dos mais ferrenhos opositores dessa sociedade secreta, a qual designou de Reino de Satanás em 1884, e sua última condenação data de 1902, na encíclica Annum Ingressi, endereçada a todos os bispos do mundo em que alarmava da necessidade urgente de combater a maçonaria, opondo radicalmente esta sociedade secreta ao catolicismo.

Apesar disso, há acusações sobre Paulo VI e alguns cardeais da Igreja relacionarem-se a uma loja. Entretanto, todas as acusações carecem de provas. A condenação da Igreja é forte e não muda ainda que membros do clero tenham de alguma forma se associado à sociedade secreta.

No Brasil Império, havia clérigos maçons e a tentativa de alguns bispos ultramontanos de adverti-los causou um importante conflito conhecido como Questão Religiosa. O principal dos bispos antimaçónicos desta época foi Dom Vital, bispo de Olinda. Recebeu forte apoio popular, mas foi preso pelas autoridades imperiais, notadamente favoráveis à maçonaria. Após ser liberto, foi chamado a Roma onde foi congratulado pelo papa, SS Pio IX, por sua brava resistência, e foi recebido paternalmente e com alegria (o Papa, comovido, só o chamava de “Mio Caro Olinda”, “Mio Caro Olinda”).

Catedral luterana em Helsinque, Finlândia. Traços evidentes da arquitetura maçónica

Até 1983, a pena para católicos que se associassem a essa sociedade era de excomunhão. Com a formulação do novo Código de Direito Canónico que não mais condenava a maçonaria explicitamente, muitos pensaram que a Igreja a houvesse aceitado. No entanto, a Congregação para Doutrina da Fé tratou de esclarecer o mal entendido e afirmar que permanece imutável o parecer negativo sobre a maçonaria e a pena de excomunhão para os que a ela se associarem. A mesma declaração foi, um ano mais tarde, reiterada e explicada em todos os detalhes à luz dos novos tempos.

Protestantismo e Maçonaria

A Maçonaria Especulativa surgiu durante o período da reforma protestante e é negada por algumas denominações reformadas. Notadamente, James Anderson, o autor da Constituição de Anderson, era um pastor presbiteriano.

Espiritismo e Maçonaria

Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido pelo seu pseudónimo Allan Kardec, teria sido iniciado na Grande Loja Escocesa Maçónica de Paris. Suas obras teriam, principalmente na parte inicial, introdutória, muitos termos do jargão maçónico e da doutrina maçónica.

Segundo alguns biógrafos, depois de alguns anos de preparatórios, Hippolyte Rivail teria deixado por algum tempo o castelo de Yverdon para estudar medicina na faculdade de Lyon. Vivia a França o período da restauração dos Bourbons, e então é agora em sua própria pátria, realista e católica, que ele se sentiria desambientado. Lyon ofereceu em todos os tempos asilo às ideias liberais e as doutrinas heterodoxas. Martinismo e Franco-Maçonaria, Carbonarismo e São-Simonismo vicejam entre suas paredes.

O pseudónimo “Allan Kardec”, segundo biografias, foi adotado pelo professor Rivail a fim de diferenciar a Codificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores. Segundo algumas fontes, o pseudónimo foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druidas, na Gália, e que então o Codificador se chamava “Allan Kardec“.

Budismo, Hinduísmo e Maçonaria

Imagem que ilustra Siddhartha Gautama passando suas palavras a seus seguidores, após ter atingido o Nirvana, à sombra de uma figueira.

A Maçonaria, como escola iniciática, tem muitos pontos de contacto com o budismo. Ela, da mesma maneira, pugna pelos bons costumes, pela fraternidade e pela tolerância, respeitando, todavia, a liberdade de consciência do homem, a qual não admite a imposição de dogmas (apenas da lei natural, ou Darma). Embora com algumas ligeiras modificações, as Quatro Nobres Verdades e os Oito Nobres Caminhos podem ser interpretadas como presentes em toda a extensão da doutrina maçónica, que ensina, aos iniciados, o desapego às coisas materiais e efémeras e a busca da paz espiritual, através das boas obras, da vida regrada, do procedimento correto e das palavras verdadeiras.

O conceito de Grande Arquiteto do Universo (G.A.D.U.), como o entende a Maçonaria, não existe no budismo, pois, para este, não existe começo nem fim, ou criacionismo. Há contraste com o hinduísmo e o bramanismo, que são as religiões mais antigas da Índia, ambas originárias da religião védica (baseada nos Vedas, seus livros sagrados). Para o Rig Veda, o texto máximo do hinduísmo, existia, no começo dos tempos, o mundo submerso na escuridão, impercetível, sem poder ser descoberto pelo raciocínio.

Para explicar a presença de budistas na Ordem maçónica, já que para ser maçom, é condição essencial a crença num Ser Supremo Criador de todos os mundos e para o budista, não existe um Deus criador. É preciso entender que na realidade o conceito de G.A.D.U. como entendemos na Maçonaria não existe no budismo. Para o qual não há princípio nem fim, ao contrário do hinduísmo e do bramanismo, que são as mais antigas religiões da Índia e originárias da religião védica.

A maçonaria é considerada uma ordem iniciática teísta e algumas correntes religiosas consideram o budismo como religião ateísta, porém; os próprios budistas não se consideram ateístas pois os textos budistas transcritos pelos seus mestres, discípulos e seguidores em nenhum momento citam em seus textos e sutras a figura de Deus como nas religiões cristãs. Portanto, os budistas podem ser chamados de não-teístas e de uma forma geral ficando a critério de cada budista crer ou não em um criador do universo na personificação de Deus como os cristãos, fazendo com que os budistas possam se tornar maçons sem nenhuma reserva. O budismo para os budistas atua mais como uma filosofia de vida, pregando a prática de suas ações no dia a dia e é contraria aos dogmas presentes nas demais religiões. No budismo, os seus ensinamentos são voltados principalmente para o reconhecimento da natureza da realidade como forma de libertar todos os seres da insatisfação e do sofrimento, bem como de uma lei superior ou força natural superior chamada de Dharma que rege o universo, lei da causa e efeito.

Além disso, há, no budismo, um profundo respeito por todas as criaturas vivas, fazendo com que os adeptos da doutrina considerem como obrigação fundamental dos seres humanos, viverem em paz, harmonia e fraternidade com seus semelhantes.

Maçonaria e sociedade

Prédio do Fórum Trabalhista de Porto Alegre, com muitos traços maçónicos em sua arquitetura.

A maçonaria teve influência decisiva em grandes acontecimentos mundiais, tais como a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos. Tem sido relevante, desde a Revolução Francesa em diante, a participação da Maçonaria em levantes, sedições, revoluções e guerras separatistas em muitos países da Europa e da América. No Brasil, deixou suas marcas, especialmente na independência do Brasil do jugo da metrópole portuguesa e, entre outras, a inconfidência mineira e na denominada “Revolução Farroupilha”, no extremo sul do país, tendo legado os símbolos maçónicos na bandeira do Rio Grande do Sul, estado da Federação brasileira. Vários outros Estados da Federação possuem símbolos maçónicos nas suas bandeiras, como Minas Gerais, por exemplo.

A divulgação dos direitos do homem e da ideia de um governo republicano inspirou a Maçonaria no Brasil, em particular depois da Revolução Francesa, quando os cidadãos derrubam a monarquia absolutista secular. As ideias que fermentaram o movimento (século XVIII) havia levedado o espírito dos colonos americanos, que emigraram para a América em busca de liberdade religiosa e política. A Maçonaria é caracteristicamente universalista por ser uma sociedade que aceita a afiliação de todos os cidadãos que se enquadrarem na qualificação “livres e de bons costumes”, qualquer que seja a sua raça, a sua nacionalidade, o seu credo, a sua tendência política ou filosófica, excetuados os adeptos do comunismo teorético porque seus princípios filosóficos fundamentais negam ao homem o direito à liberdade individual da autodeterminação.

Potências e Lojas são autónomas somente em sentido administrativo, Grão–Mestres e Mestres das Lojas não podem jamais se pronunciar em nome da Maçonaria Universal. No entanto se autorizados por suas assembleias, podem se pronunciar oficialmente sobre desenvolvimento dos seus trabalhos, na escolha da forma e do direcionamento de suas atividades sociais e culturais.

Iluminismo

Voltaire
Voltaire, retratado por Nicolas de Largillière, 1718.

Iluminismo é um conceito que sintetiza diversas tradições filosóficas, sociais, políticas,correntes intelectuais e atitudes religiosas. Pode-se falar mesmo em diversos micro-iluminismos, diferenciando especificidades temporais, regionais e de matiz religioso, como nos casos de Iluminismo tardio, Iluminismo escocês e Iluminismo católico.

O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação.[55] Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor – mediante introspeção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social.

Marquês de Pombal.

Devido a formação intelectual e a autonomia que cada loja tem para pronunciar-se e decidir em assembleia conforme a deliberação de seus associadas, não podemos falar em influência da Maçonaria Universal sobre determinado aspeto, mas sim de uma ou grupos de lojas. Como aconteceu no Brasil quando havia lojas ou grupos de Lojas a favor da República e outras lojas ou grupos de Lojas a favor de reinos constitucionais durante o Segundo Império. Essas posições, aparentemente divergentes atendem às aspirações da liberdade maçónica porque ambos os mencionados sistemas políticos limitam os poderes de seus governantes máximos, o presidente ou o rei.

Kant
Retrato de Immanuel Kant.

Iluministas se filiaram às Lojas Maçónicas como um lugar seguro e intelectualmente livre e neutro, apropriado para a discussão de suas ideias, principalmente no século XVIII quando os ideais libertários ainda sofriam sérias restrições por parte dos governos absolutistas na Europa continental. e por isso certamente a Maçonaria teria contribuído para a difusão do Iluminismo e que este por sua vez também possa ter contribuído para a difusão das lojas maçónicas.

O lema, ou o símbolo, “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” se constitui de um grupo de palavras que supostamente exprime as aspirações teóricas do povo maçónico e que, se atingidas, levariam a um alto grau de aperfeiçoamento de toda a Maçonaria, o que é evidentemente utópico, como a nosso ver o são todos os lemas. A trilogia seria de origem revolucionaria e que se introduziu na cultura maçónica através do Imperador Napoleão a partir do início do período napoleónico.

Revoluções

Revolução Francesa

Revolução Francesa era o nome dado ao conjunto de acontecimentos que, entre 5 de Maio de 1789 e 9 de Novembro de 1799, alteraram o quadro político e social da França. Ela começa com a convocação dos Estados Gerais e a Queda da Bastilha e se encerra com o golpe de estado do 18 Brumário de Napoleão Bonaparte. Em causa estavam o Antigo Regime (Ancien Régime) e a autoridade do clero e da nobreza. Foi influenciada pelos ideais do Iluminismo e da Independência Americana (1776). Está entre as maiores revoluções da história da humanidade.

A Revolução é considerada como o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea. Aboliu a servidão e os direitos feudais e proclamou os princípios universais de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” (Liberté, Egalité, Fraternité), frase de autoria de Jean-Jacques Rousseau. Para a França, abriu-se em 1789 o longo período de convulsões políticas do século XIX, fazendo-a passar por várias repúblicas, uma ditadura, uma monarquia constitucional e dois impérios.

A França tomada pelo Antigo Regime era um grande edifício construído por cinquenta gerações, por mais de quinhentos anos. As suas fundações mais antigas e mais profundas eram obras da Igreja, estabelecidas durante mil e trezentos anos.”

Independência do Brasil

Dom Pedro I – Grão Mestre do GOB
Deodoro da Fonseca – Grão Mestre do GOB
Duque de Caxias – Grão Mestre Honorário do GOB

À frente do movimento, agindo de maneira enérgica e participativa, achavam-se muitos Pedreiros Livres de primeira hora, são citados frequentemente nos livros de história os nomes de José Clemente Pereira, Cônego Januário da Cunha Barbosa, José Joaquim da Rocha, Padre Belchior Pinheiro de Oliveira, Felisberto Caldeira Brant, o Bispo Silva Coutinho Jacinto Furtado de Mendonça, Martim Francisco, Monsenhor Muniz Tavares, Evaristo da Veiga, dentre muitos outros.

A Independência foi feita por muitos, nem todos eles eram maçons, mas certamente a ordem maçónica contribuiu de maneira intensa e de forma muito qualitativa para a formação do quadro daqueles que levaram a contento este importante feito.

No entanto, estes nomes mencionados não incluem os daqueles que foram realmente os grandes arquitetos do Sete de Setembro. Estes são dois e respondiam por Joaquim Gonçalves Ledo e José Bonifácio de Andrada e Silva.

Estes dois homens lideraram os maçons divergindo principalmente com relação à forma como a independência deveria ser conduzida. Havia, sem sombra de dúvida, uma luta ideológica entre os grupos de José Bonifácio e de Ledo. Enquanto o primeiro defendia a independência dentro de uma união brasílico-lusa perfeitamente exequível, o segundo pretendia o rompimento total com a metrópole portuguesa, o que poderia tornar difícil a transição para país independente. E essa luta não era limitada, evidentemente, às paredes das lojas maçónicas, assumindo caráter público e se estendendo, inclusive, através da imprensa.

Embora ambos os grupos sempre tenham trabalhado pelo objetivo principal, a disputa entre eles persistiu por tão período longo que, após a Independência, face aos conflitos, D. Pedro mandou, como Grão-Mestre e como imperador, que o Grande Oriente fosse fechado. Só em 1831 é que a Maçonaria renasceria no país depois da abdicação de D. Pedro através de dois grandes troncos: o Grande Oriente Brasileiro, que desapareceria cerca de trinta anos depois, e o Grande Oriente do Brasil.

Estrutura e objetivos

A maçonaria exige, de seus membros, o respeito às leis do país em que cada maçom vive e trabalha. Os princípios Maçónicos não podem entrar em conflito com os deveres que, como cidadãos, têm os Maçons. Na realidade, estes princípios tendem a reforçar o cumprimento de suas responsabilidades públicas e privadas.

Indumentária utilizada pelos franco-maçons em suas lojas.

Induz seus membros a uma profunda e sincera reforma de si mesmos, ao contrário de ideologias que pretendem transformar a sociedade, com uma sincera esperança de que o progresso individual contribuirá, necessariamente, para a posterior melhora e progresso da Humanidade. E é por isso que os maçons jamais participarão de conspirações contra o poder legítimo, escolhido pelos povos.

Para um maçom, as suas obrigações como cidadão e pai de uma família devem, necessariamente, prevalecer sobre qualquer outra obrigação e, portanto, não dará nenhuma proteção a quem agir desonestamente ou contra os princípios morais e legais da sociedade.

Em função disso, os objetivos perseguidos pela maçonaria são:

  • Ajudar os homens a reforçarem o seu caráter,
  • Melhorar sua bagagem moral e espiritual e
  • Aumentar seus horizontes culturais.

A maçonaria universal utiliza o sistema de graus para transmitir os seus ensinamentos, cujo acesso é obtido por meio de uma Iniciação a cada grau. Os ensinamentos são transmitidos através de representações e símbolos.

Obediências maçónicas

A Maçonaria Simbólica, aquela que reúne os três graus da Maçonaria antiga, tradicional e legítima, divide-se em Obediências Maçónicas designadas de Grande Loja, Grande Oriente ou Ordem, que são unidades administrativas diferentes, que agrupam diversas Lojas, mas que propagam os mesmos ideais.

Além da Maçonaria Simbólica, e conforme o Rito praticado (sistema de práticas e normas que englobam os Rituais adotados nas Lojas Simbólicas e acrescentam ainda graus para estudos filosóficos), existem os Altos Graus, que se subordinam a outras entidades, assim são por exemplo, os Altos Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito estão sob a égide tutelar de um Supremo Conselho, geralmente um por país, sendo comum que os Supremos Conselhos mantenham relações de reconhecimento entre si, bem como celebrem tratados com os corpos da Maçonaria Simbólica, mas limitando-se apenas a administrar os seus ditos graus “superiores”, que no caso do R.E.A.A. compreende os graus 4º ao 33º, sendo que o conteúdo de muitos destes graus não possuem qualquer ligação direta com a Lenda tradicional que fundamenta a Maçonaria Universal no mundo (ver Landmarks de A. G. Mackey).

No mundo

Implantação da maçonaria no mundo.
Ver também: Anexo:Lista de grandes lojas maçónicas

Desde a sua criação, a Maçonaria viu o paradoxo de ser universal, enquanto existente em maneiras muito diferentes e em diferentes épocas e países. Em 2005, a maçonaria tinham entre 2 e 4 milhões de membros em todo o mundo contra os 7 milhões em 1950. Esta redução de efectivos, foi principalmente na maçonaria Anglo-Americana, cujo número quase dobrou nos dez anos seguintes à Segunda Guerra Mundial e, em seguida, diminuiu gradualmente mais de 60% nos cinquenta anos seguintes. Na Europa continental, os números diminuíram significativamente após a Ocupação e não tinha conhecido um aumento semelhante nos anos 1950. Eles são atualmente um pouco mais elevados.

Na maioria dos países da América Latina, predomina a maçonaria dogmática. É tão presente na Europa (é a essência da maçonaria europeia) quanto na América Latina. No Canadá, é bastante marginalizada e é quase inexistente nos Estados Unidos, onde as lojas são pouco “liberais” (no estilo europeu), sendo frequentadas, na sua maioria, por residentes e visitantes. Em todo o restante do mundo, no entanto, a tendência é seguir o “mainstream” das Lojas Anglo-Americanas.

Em alguns países, porém, os dois movimentos existem lado a lado ou em um relacionamento amigável de compreensão mútua (especialmente em certas regiões onde a maçonaria de todas as tendências, tem sido particularmente perseguida), ou com relações mais tensas.

No Brasil

Embora existam vagas referências, sem comprovação, de que a maçonaria teria participado de movimentos como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, a primeira loja maçónica brasileira surgiu em Pernambuco no ano de 1796: o Areópago de Itambé, instalado por Manuel Arruda Câmara. Arruda Câmara foi um padre carmelita que deixou a batina para estudar medicina na Universidade de Montpellier na França. Após se especializar em Botânica, ele retornou a Pernambuco, fundando a sociedade filosófica que viria a influenciar, anos mais tarde, a Conspiração dos Suassunas e a Revolução Pernambucana.

A maçonaria esteve presente nos momentos fundamentais da história do Brasil, como a Independência do Brasil, a Proclamação da República do Brasil e a Abolição da Escravatura. Enquanto Ordem Maçónica comprometida com os valores éticos do amor à pátria e o bem comum, esteve presente durante o processo de redemocratização do País, e mesmo recentemente tem lutado juntamente com outras organizações da sociedade civil, para a construção de uma classe política brasileira honesta e menos demagógica.

No Brasil, o braço que aceita Homens e Mulheres (Maçonaria Mista) é considerado a “Ala Liberal da Maçonaria”. A Loja Mista Soberano Santuário existe há mais de doze anos com sede na região de Curitiba/PR e atua em âmbito nacional.

Em Portugal

Entrada principal do Grande Oriente Lusitano em Lisboa.

Entrada principal do Grande Oriente Lusitano em Lisboa.

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Grande Loja Antigos Maçons
Em Portugal, são reconhecidas as seguintes federações/confederações:
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Grande Loja Nacional Portuguesa Grande Loja Antigos Maçons.jpg
Grande Oriente Lusitano Grande Loja Regular de Portugal Grande Loja Legal de Portugal Grande Loja Nacional Portuguesa-Grande Loja Antigos Maçons
Fundada em 1802 Fundada em 1991 Fundada em 1996 Fundada em 1882 e 1996
Iniciou com várias lojas em Lisboa Criada pela Grande Loja Nacional Francesa Cisão com a Grande Loja Regular de Portugal Cisão com o Grande Oriente Lusitano e com a Grande Loja Regular de Portugal
reconhecida pela UGLE reconhecida pela Confederação Internacional Grandes Lojas Unidas e pela Confederação Grandes Lojas Unidas Europa

Regularidade maçónica

Constituição de Anderson – 1723.

São os regulamentos consagrados na Constituição de Anderson, considerados o fundamento e pilar da maçonaria moderna, que obrigam à crença em Deus. Consequentemente, com o não cumprimento deste critério, fica, desde logo, designada a atividade maçónica como irregular.

Grande Loja Antigos Maçons (edifício com mais de trezentos anos)

Para ser membro da maçonaria, não basta a autoproclamação, por isso é necessário um convite formal e é obrigatório que o indivíduo seja iniciado por outros maçons. Mantém o seu estatuto desde que cumpra com os seus juramentos e obrigações, sejam elas esotéricas ou simbólicas, e esteja integrado numa Loja regular, numa Grande Loja ou num Grande Oriente, devidamente consagrados, segundo as terminologias tradicionais, ditadas pelos Landmarks da Constituição de Anderson.

Na Maçonaria regular, é exigido que seus membros professem uma religião ou apenas creiam em um ser supremo, chamado pelos maçons de Grande Arquiteto do Universo, título dado a Deus. Que está para além de qualquer credo religioso, respeitando toda a sua pluralidade. A crença num ser supremo é ponto indiscutível nos landmarks para que se possa ser iniciado na maçonaria. É uma realidade filosófica mas não um ponto doutrinal.

Mulheres e Maçonaria

O tema da relação entre mulheres e Maçonaria, é complexo e sem uma explicação fácil. Tradicionalmente, só os homens podem ser maçons através da Maçonaria Regular. Há evidências, embora o fenómeno fosse raro, que algumas mulheres tomassem o controle de acesso em várias corporações, antes do surgimento da Maçonaria especulativa. Alguns dos estatutos de idade (idade de referência) mostram, por exemplo, o comércio do livro de Paris (1268), os estatutos da Guilda dos Carpinteiros em Norwich (1375), ou os estatutos das Lojas de York (1693). Na França, o cavaleiro de Ramsay, em seu famoso discurso maçónico de 1736, contém a mesma proibição, mas é menos uma questão de princípio do que a defesa da “pureza de nossos costumes”:

Obediências maçónicas consideradas “irregulares”

Ver também: Anexo:Lista de grandes lojas maçónicas

Existem também Obediências Maçónicas que não seguem a diretiva adotada pela Constituição de Anderson e os princípios que orientam a Maçonaria Regular, optando por não querer obter o reconhecimento internacional da Grande Loja Unida da Inglaterra, ou por não se enquadrarem no espírito dos mesmos, ou por terem outros critérios maçónicos de reconhecimento.

Esta “irregularidade” não significa de todo que estas Obediências não desempenhem um sério trabalho de filantropia, de engrandecimento do ser humano, e da própria sociedade em que se inserem. As mesmas inserem-se nas seguintes Organizações inter-maçónicas:

Ritos maçónicos

A maçonaria é composta por Graus Simbólicos e Filosóficos, variando o seu nome e o âmbito de Rito para Rito. A maçonaria simbólica compreende o seguintes três graus obrigatórios, previstos nos landmarks da Ordem: Aprendiz; Companheiro e Mestre. O trabalho realizado nos graus ditos “superiores” ou filosóficos é optativo e de caráter filosófico. Os ritos compostos por procedimentos ritualísticos, são métodos utilizados para transmitir os ensinamentos e organizar as cerimonias maçónicas.

Cada rito tem suas características particulares, assemelhando-se ou divergindo do outro em aspetos gerais, em detalhes, mas convergindo em pelo menos um ponto comum: a regularidade maçónica, isto é, o reconhecimento internacional amparado pela Constituição de Anderson

Ritos maçónicos
Principais ritos praticados Sistema
Rito Escocês Antigo e Aceito Brasil Brasil Portugal Portugal 33 graus
Rito Brasileiro Brasil Brasil Portugal Portugal 33 graus
Rito de York (York Americano) Brasil Brasil Portugal Portugal 13 graus
Rito de Emulação (York Inglês) Brasil Brasil Portugal Portugal Ordens Paralelas
Rito Schröder Brasil Brasil Portugal Portugal 3 graus
Rito Moderno Brasil Brasil Portugal Portugal 9 graus
Rito Adonhiramita Brasil Brasil Portugal Portugal 33 graus
Rito Escocês Retificado Brasil Brasil Portugal Portugal 9 graus

No mundo, já existiram mais de duzentos ritos, e pouco mais de cinquenta são praticados atualmente. Os mais utilizados são o Rito de York, o Rito de Emulação, o Rito Escocês Antigo e Aceito e o Rito Moderno (também chamado de Rito Francês ou Moderno na Europa). Juntos, estes três ritos detém como seus praticantes mais de 99% dos maçons especulativos.

Loja Maçónica

Na maior parte do mundo, os maçons juntam-se, formando lojas maçónicas de modo a trabalhar nos graus simbólicos da Maçonaria. As Lojas não são os edifícios onde se reúnem, mas a própria organização; podem também ser cedidas pelos maçons a ordens patrocinadas pela Maçonaria, como a Ordem DeMolay e a Ordem dos Escudeiros da Távola Redonda.

As diversas maçonarias nacionais estão divididas por “oficinas” que podem ser constituídas por lojas (com mais de seis “maçons perfeitos”) ou triângulos maçónicos (pelo menos até seis maçons) ou ainda, no Rito Escocês Antigo e Aceito, com no mínimo sete maçons, dos quais três mestres maçons.

Cada loja maçónica é composta pelo

Cargos de uma loja maçónica REAA
Venerável Mestre, que preside e orienta as sessões.
Primeiro Vigilante, que auxilia nos trabalhos, trata da organização em geral e instruí os aprendizes.
Segundo Vigilante, que auxilia nos trabalhos e instruí os companheiros.
Orador, que sumariza os trabalhos e apresenta conclusões antes das votações e garante o fiel cumprimento da legislação maçónica. Equivale a um representante do Ministério Público, dentro da Loja; Pode se dizer em suma que é o guardião das leis maçónicas.
Secretário, que redige as atas e trata da sua conservação e é responsável pelas relações administrativas entre a loja e a obediência e junto com o ‘ ‘Venerável Mestre.
Experto, responsável pelas cerimónias de iniciação, em alguns ritos e obediências este é responsável por toda a condução das cerimónias maçónicas e é ajudado pelo Mestre de Cerimónias
Mestre de Cerimónias, responsável por toda a condução das cerimónias maçónicas, introduz os irmãos na loja, conduz aos seus lugares os visitantes, e ajuda o Experto nas cerimónias de iniciação,
Tesoureiro, que recebe as quotizações e outros fundos da loja e vela pela sua organização financeira.
Guarda do Templo (que alguns Ritos e lojas é só externo noutros é externo e interno e ainda noutros ambos são ocupados por irmãos diferentes) e que vela pela entrada do Templo são outros oficiais igualmente importantes.

Os cargos do Venerável Mestre, Primeiro Vigilante e Segundo Vigilante são chamados as luzes da oficina, os demais cargos são chamados de oficiais.