Crise na Venezuela:

Protagonismo de Trump na crise da Venezuela, uma faca de dois gumes para Guaidó

MAJ: 02/25/2019 14:25:58

O político venezuelano sugere uma intervenção militar contra Maduro, mas depois matiza falando em “cerco diplomático”

Santa Elena de Uairén, na fronteira com o Brasil, é o epicentro da repressão de Maduro Crédito Marina Novaes

 

Créditos El Pais Uma seguidora de Juan Guaidó se ajoelha diante de agentes da Guarda Nacional Bolivariana. SCHNEYDER MENDOZA AFP

Após um sábado marcado por confrontos na fronteira da Venezuela, Juan Guaidó  encerrou uma jornada com uma mensagem que, longe de acalmar os ânimos, sugere o pior epílogo para a grave crise do país. Depois da tentativa fracassada de fazer com que caminhões de ajuda humanitária entrassem no país através da fronteira com a Colômbia e o Brasil, o presidente da Assembleia Nacional venezuelana se dirigiu às instâncias internacionais que o apoiaram desde o início, com os Estados Unidos e a Colômbia à frente, para pedir novamente sua ajuda. Desta vez, em termos que aparentemente vão além do apoio simbólico ou logístico. “Os acontecimentos de hoje me obrigam a tomar uma decisão: expor à comunidade internacional de maneira formal que devemos ter todas as opções em aberto para conseguir a libertação desta pátria que luta e continuará lutando. A esperança nasceu para não morrer, Venezuela!”, escreveu o político venezuelano no Twitter, pouco depois de dar uma entrevista coletiva ao lado do presidente colombiano, Iván Duque, e do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro. Suas palavras remetem ao fantasma que agita precisamente o Governo de Nicolás Maduro, o da intervenção militar, algo que seu arqui-inimigo, o Governo de Donald Trump, não deixou que sugerir

Venezuela: Maduro apela à justiça para contrar Juan Guaido

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, pediu esta terça-feira ao Tribunal Supremo de Justiça que proíba a saída do país do autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, mas também para que congele as suas contas bancárias.
O líder do Parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, ao deixar missa em Caracas, em 27 de janeiro de 2019 – AFP/Arquivos / Luis ROBAYO

EUA consideram sanções extras contra Venezuela, diz secretário do Tesouro.

O secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, disse nesta terça-feira (29) que considera “sanções adicionais” para pressionar o governo da Venezuela, enquanto o Departamento de Estado informou que entregará ao líder opositor Juan Guaidó o controle das contas nos Estados Unidos. “Sempre consideramos sanções adicionais para nos assegurarmos de que se protejam os ativos do país para o povo venezuelano”, afirmou Mnuchin em entrevista à rede Fox, um dia depois de Washington anunciar sanções à estatal petroleira PDVSA, principal fonte de receita da Venezuela, para pressionar o governo de Nicolás Maduro. A sanção chega no momento em que que o país e a PDVSA se encontram em default, e sua produção petroleira, no nível mais baixo das últimas três décadas, a 1,3 milhão de barris diários. “Não há dúvida de que estamos tentando cortar os fundos do regime que não deveria estar no poder”, afirmou Mnuchin. O Departamento do Tesouro disse ter assinado, na semana passada, uma ordem para dar a Guaidó o controle das contas da Venezuela nos Estados Unidos. “Esta certificação vai ajudar o governo legítimo da Venezuela a proteger esses ativos para o benefício do povo venezuelano”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Robert Palladino, em um comunicado.

Mapa-múndi das posições internacionais após a autoproclamação de JuanGuaido como presidente interino da Venezuela

O Papa pede para evitar a imposição de “outros sofrimentos” aos venezuelanos

Papa Francisco ao lado do Presidente do Panamá Juan Carlos Varela em 24 de janeiro de 2019 no Panamá.- AFP / Alberto PIZZOLI.  2019-01-25 – 19:21:03

O Papa Francisco apelou na quinta-feira na América Central a evitar infligir “outros sofrimentos” aos venezuelanos, após o reavivamento abrupto das tensões em Caracas, e levou a Igreja a ajudar os fiéis a “superar medos e desconfiança” para Migrantes latino-americanos.

O Papa “apoia todos os esforços para impedir que mais sofrimento seja infligido aos venezuelanos”, disse o porta-voz do Vaticano, italiano Alessandro Gisotti, às margens da Jornada Mundial da juventude (JMJ) organizada em Panamá até domingo.

Venezuela: maduro, apoiado pelo exército, acusa os Estados Unidos

O Presidente da Venezuela Nicolas maduro e o Ministro da defesa, general Vladimir Padrino, em 10 de janeiro de 2019 em Caracas. AFP/Frederico Parra. – 2019-01-25 – 19:20:03

O braço diplomático continuou na quinta-feira entre Washington e o presidente Nicolas maduro, que recebeu o apoio do exército venezuelano e acusou os Estados Unidos de incitar o adversário Juan Guaido autoproclamado Presidente para perpetrar um “Golpe de Estado”.

Em uma sessão especial perante o Supremo Tribunal, que reiterou o seu apoio, N. Maduro agradeceu aos militares por seu apoio para o que ele chamou de “golpe de estado na marcha”, dirigido por “o Império dos Estados Unidos.”

Crise na Venezuela: “Ou Maduro aceita eleições ou UE reconhece Guaidó” diz Santos Silva

Ou Nicolas Maduro aceita realizar “eleições livres no mais breve prazo possível”, ou a União Europeia (UE) reconhecerá que só Juan Guaidó o pode fazer, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva.

Imagem Wikimédia- 2019-01-25 – 19:15:02

“Se Nicolas Maduro mantiver a intransigência e se recusar a participar nesta solução de transição pacífica, isso significa que mais ninguém poderá contar com ele […] deixará de ser interlocutor válido” para a comunidade internacional, disse Augusto Santos Silva à imprensa em Lisboa.

Crise na Venezuela: Juan Guaido, Presidente do Parlamento venezuelano, proclamou-se “presidente interino”. Donald Trump reconheceu este novo executivo.

O pró-americano Juan Guaido tem autoproclamado “presidente interino” da Venezuela. Poucos minutos depois, Donald Trump reconheceu-o como tal. RT-France 2019-01-24 – 19:10:05

Juan Guaido, Presidente do Parlamento venezuelano, proclamou-se “presidente interino”. Donald Trump reconheceu este novo executivo.

Donald Trump foi o primeiro a reconhecer o líder da oposição venezuelana Juan Guaido como “presidente interino” apenas momentos depois que ele mesmo concedeu esta função durante um dia de demonstrações pró e anti-maduro.

O presidente americano apoiou o Presidente da Assembleia Nacional e líder da oposição venezuelana Juan Guaido depois que ele se proclamou “Presidente em exercício” em 23 de janeiro frente a milhares de partidários reunidos em Caracas.

“O Presidente [Donald Trump] reconheceu oficialmente o Presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaido, como presidente interino da Venezuela,” comunicou no Twitter a casa branca.

Eu juro formalmente assumir a competência do Executivo Nacional como Presidente em exercício da Venezuela para alcançar […] Para um governo de transição e obter eleições livres “, disse Juan Guaido na frente de seus apoiantes.

O jovem adversário também disse que queria contar com o exército para ajudá-lo a substituir Nicolas maduro e organizar eleições livres.

Imagens da mobilização de adversários do governo em vigor, exibindo bandeiras venezuelanas, apareceram em redes sociais.

Antes deste anúncio, milhares de manifestantes, ao mesmo tempo adversários, mas também apoiantes do presidente Nicolas maduro, haviam descido nas ruas do país em 23 de Janeiro, respondendo às chamadas feitas pelos líderes de ambos os lados.

Em Caracas, defensores do governo socialista desceu em números na rua, como mostrado pelas imagens publicadas pelo canal venezuelano Telesur no Twitter.

No dia anterior, o Presidente da Venezuela acusou Washington de ter instigado um “golpe de estado fascista”, no rescaldo de uma tentativa frustrada de golpe de pessoal militar em 21 de Janeiro. Algumas horas antes, Jorge Rodriguez, Ministro da comunicação do país, havia acusado o vice-presidente dos EUA, Mike pence, de ordenar “terroristas” para provocar a violência durante o protesto da oposição de 23 de Janeiro.

Mesmo antes do início oficial do dia da mobilização, os problemas entraram em erupção no país. Quatro pessoas foram mortas durante a noite, de acordo com a polícia, incluindo um adolescente de 16 anos em um rali no bairro popular de Caracas, e três outros homens durante o saque na parte sul do país.

Em 10 de Janeiro, Nicolas maduro foi jurado em um segundo mandato de seis anos como chefe da Venezuela durante uma cerimónia em particular boicotado pela União Europeia e muitos países latino-americanos. Os Estados Unidos, por intermédio de John Bolton, conselheiro de segurança nacional da casa branca, foram informados de que não reconheceram a “investidura ilegítima da ditadura de maduro”.

Os Estados Unidos da América foram o primeiro país a reconhecer a legitimidade de Juan Guaidó como presidente interino e adiantam que “todas as opções estão em cima da mesa” se Nicolás Maduro responder com violência à autoproclamação do líder do parlamento.

Mais tarde, num comunicado dirigido ao Presidente Nicolás Maduro, Mike Pompeo, secretário de Estado norte-americano, que chamou Maduro de “ex-presidente”, afirmando que o mesmo “não tem autoridade legal para romper relações com os EUA ou declarar de ‘personas não gratas’ os diplomatas norte-americanos”. Pompeo anunciou ainda que vai manter a equipa diplomática na Venezuela e instou as Forças Armadas venezuelanas a protegerem os cidadãos norte-americanos.

Países que reconhecem a legitimidade de Guaidó: Estados Unidos da América, Brasil, Canadá, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Paraguai, Guatemala e Costa Rica. Acresce a estes países a Organização dos Estados Americanos.

  • Países que não reconhecem a legitimidade de Guaidó: México, Bolívia, Rússia, Turquia e China.
  • Nicolás Maduro respondeu à iniciativa de Juan Guaidó pedindo à justiça que atue para preservar o Estado e apontou baterias aos Estados Unidos, acusando-o de intervencionismo. Maduro já fez saber que os diplomatas norte-americanos tem 72 horas para abandonar o território venezuelano.

Protestos a favor de Nicolás Maduro

Foto: EPA/Miguel Gutierrez

Protestos a favor de Protestos a favor de Nicolás Maduro 

Foto: EPA/Miguel Gutierrez

O Governo de Portugal pediu que seja respeitada a legitimidade da Assembleia Nacional da Venezuela e o direito à manifestação pacífica. A par, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, diz que a “prioridade” de Portugal é garantir a “segurança física” dos portugueses na Venezuela e afirma o seu respeito à “vontade inequívoca” mostrada pelo povo venezuelano, admitindo que está na altura de Maduro compreender “que o seu tempo acabou”.

O ministro da Defesa venezuelano já disse que os militares não aceitarão “um Presidente imposto à sombra de interesses obscuros”. O futuro político do país revela-se incerto.