Mineração no Brasil: tragédias e enormes receitas

Desastre da barragem de mineração no Brasil: habitantes expostos a doenças

Os habitantes da região sudeste do Brasil, afogada por uma corrente de lama após a ruptura da represa de mineração de Brumadinho, estão expostos a alto risco de dengue, YF, doenças infecciosas e transtornos psíquicos, alertou um especialista, duas semanas depois da tragédia.

Com base nos primeiros dados coletados no local e na experiência de desastres semelhantes, pesquisadores da Fundação Brasileira Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicaram um relatório sobre os impactos da saúde dessa tragédia que fez pelo menos 142 Mortos e 194 desaparecidos, de acordo com o último registro oficial provisório.

Eles tinham dito que suas barragens eram seguras:

A parque da cachoeira (Brasil), enterrado no rescaldo da ruptura da barragem de Brumadinho em 26 de janeiro MAURO PIMENTEL/AFPAFP

No Brasil, a raiva e o medo de uma nova catástrofe. A ruptura de uma barragem fez 58 mortos e 305 desapareceram na cidade de Brumadinho. E outra barragem quase cedeu também. 

Já em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundao rompeu. Um tsunami de resíduos submergiu a região, causando a maior catástrofe ambiental do Brasil. A 650 quilómetros de Regencia, no interior das terras brasileiras, no estado de minas gerais, a barragem de Fundao, que continha cerca de 56,6 milhões metros cúbicos de resíduos da mina de ferro operada pela Samarco, rompeu, transbordando uma Segunda barragem de reservatório de água. Como resultado, um tsunami de lama tóxica derramou-se no Rio do Carmo, afluente do Rio doce. O equivalente a 140 petroleiros do tipo Amoco-cadiz enterrou três aldeias em argila, asfixiou o peixe, devastou a fauna, a flora, e carregou em seu caminho cavalos, vacas, carros, levando 19 pessoas. Os corpos, difíceis de identificar, foram encontrados desmembrados a dez quilómetros de distância. Alguns 101 afluentes do Rio doce foram contaminados. Um verdadeiro Apocalipse. 02/06/2019-22:47:15

Vale cortará 10% de sua produção de ferro para eliminar barragens

 

A Vale vai paralisar a operação de cerca de dez barragens no Brasil, com um corte anual de 40 milhões de toneladas em sua produção de minério de ferro para eliminar as estruturas como a que causou a tragédia da última sexta-feira em Minas Gerais, informou nesta terça-feira (29) a companhia. Esse corte representa cerca de 10% da produção anual da Vale, disse o presidente da mineradora,

Fontes afpbr Publicado a 29/01/2019

AFP/Arquivos / DOUGLAS MAGNO Socorrista busca por vítimas em meio à lama de rejeitos que vazou da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, 28 de janeiro de 2019

Fábio Schvartsman, em uma coletiva de imprensa em Brasília, após se reunir com os ministros de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O processo será concluído em três anos e vai demandar um investimento de aproximadamente 5 bilhões de reais, acrescentou o executivo ao apresentar o plano, quatro dias após o rompimento da barragem em Brumadinho, que segundo o último balanço provisório deixou 84 mortos e 276 desaparecidos. Segundo Schvartsman, o plano é definitivo e drástico, uma resposta à altura da tragédia de Brumadinho. A barragem à montante é do mesmo modelo que a rompida em Mariana, em novembro de 2015, deixando 19 mortos e a maior catástrofe ambiental do país. Segundo a empresa, havia inicialmente 19 represas desse tipo em Minas Gerais e nove delas já foram desativadas. As outras dez não eram usadas em processos produtivos, mas ainda podem conter resíduos ou água. Schvartsman ressaltou que os laudos internacionais “demonstram a segurança dessas represas”. Segundo o presidente da Vale, os laudos de auditorias recentes afirmam que todas as estruturas estão em perfeita estabilidade, mas que a empresa opta por agir de forma diferente.

“Resolvemos não aceitar apenas esses laudos e decidimos agir de outra maneira”.

As obras afetarão 5.000 trabalhadores, que, segundo ele, serão absorvidos na planilha de 80.000 empregados da empresa.

Tragédias e enormes receitas

País de dimensões continentais e enormes recursos minerais, o Brasil tem explorado seu potencial de mineração por séculos, mas dois desastres em três anos tingiram esta riqueza de sangue e lama. No ano passado, apenas o minério de ferro representou quase 17% das exportações brasileiras, arrecadando mais de US$ 20 bilhões.

País de dimensões continentais e enormes recursos minerais, o Brasil tem explorado seu potencial de mineração por séculos, mas dois desastres em três anos tingiram esta riqueza de sangue e lama

Carro-chefe de uma indústria de mineração com mais de 8.000 empresas, a Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, está no centro de uma tragédia que deixou pelo menos 99 mortos e 259 desaparecidos, após o rompimento na sexta-feira passada de uma barragem em Brumadinho. Em novembro de 2015, a empresa já se viu envolvida em um desastre semelhante, que deixou 19 mortos e causou enormes danos ambientais perto de Mariana, a 120 km de distância. Essas duas catástrofes ocorreram no estado de Minas Gerais, onde a maior parte da atividade de mineração está concentrada.

300 minas

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Mineração (IBRAM), a cada ano mais de 180 milhões de toneladas de ferro são extraídas do solo de Minas Gerais. Este metal é muito procurado, especialmente pela China, que é de longe o maior comprador de ferro brasileiro (54% das exportações deste minério são destinadas ao gigante asiático), à frente do Japão e da Malásia. O Brasil também possui grandes reservas de ouro de bauxita, níquel e manganês, além de uma das maiores reservas de urânio do mundo. O país também produz 98% da oferta global de nióbio, um metal leve usado na siderurgia e na aeronáutica. Mais de 300 minas de vários tamanhos estão em atividade no Brasil.

Impacto ambiental

A mina da Vale onde aconteceu a ruptura de uma barragem produz de 2 a 7% do minério de ferro da companhia. Embora ainda seja cedo demais para determinar com precisão o impacto ambiental do desastre, espera-se que a comoção provocada no Brasil reforce as normas de segurança no setor. E o faro de a história se repetir três anos depois, sugere que nem a Vale nem as autoridades brasileiras aprenderam as lições do desastre de Mariana. Uma mudança de postura implicaria uma reviravolta forçada de posicionamento do governo do novo presidente Jair Bolsonaro, que parecia inclinado a relaxar e flexibilizar as regras sobre a proteção ambiental e que criticava o zelo dos órgãos públicos responsáveis pelos controles.

Novas regulamentações

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou esta semana que o governo em breve estabelecerá novos regulamentos. O modelo da barragem de Brumadinho não é usado em todas as minas brasileiras. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), 204 das 790 barragens brasileiras apresentam altos riscos, seja para vidas humanas ou para o meio ambiente. O diretor-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, anunciou na terça-feira o desmantelamento de dez barragens cujas estruturas são similares àquelas que romperam em Brumadinho. Ele disse que as operações reduziriam a produção anual de minério de ferro da Vale em 40 milhões de toneladas, uma queda de 10%. O anúncio provocou um aumento nos preços do minério de ferro, já que o mercado espera uma queda na oferta global.

02/01/201923:20:23