O foguetão SLS, que transportou a cápsula Orion com os quatro astronautas, partiu em direção à Lua para uma missão de 10 dias que é um marco histórico.Astronautas a caminho numa missão histórica da NASA. Quando começámos a acompanhar o lançamento no canal YouTube, cerca de uma hora antes do início da janela de lançamento, estava tudo pronto para que a missão Artémis II partisse para cumprir mais um passo relevante para o objetivo de regressar à Lua, mais de 50 anos depois da última presença humana no satélite natural da Terra. A meta de abrir uma “Era dourada” na exploração do espaço tem os auspícios do Presidente Trump e a NASA acelerou o plano que estava definido, tido com o propósito de estabelecer uma base na Lua e antecipar-se aos planos que a China partilhou recentemente. É uma nova “guerra” pelo domínio do espaço, depois de nos anos 60 o objetivo de ultrapassar a União Soviética ter impulsionado a corrida espacial com o discurso do presidente John F. Kennedy, em 1962, e a famosa frase “Nós escolhemos ir à Lua” ter aberto portas às viagens espaciais. A bordo da capsula Orion seguem quatro astronautas, que vão ser colocados no espaço com a boleia do foguetão SLS (Space Launch System), a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

Missão de 10 dias a preparar o futuro

Serão 10 dias de missão para um percurso de 650 mil milhas, cerca de 1.102 mil quilómetros, que os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, e Christina Koch da NASA, acompanhados por Jeremy Hansen, astronauta da Agência Espacial Canadiana (CSA, na sigla em inglês) não vão certamente esquecer. A missão pode ser acompanhada em direto numa transmissão da NASA no YouTube, onde se partilham informações sobre a missão e os passos mais importantes até ao lançamento, que estava previsto para as 18h24 locais, 23h24 na hora de Portugal continental, mas que acabou por se atrasar alguns minutos para verificações adicionais. Mais de 700 mil pessoas acompanham o lançamento da missão no YouTube, e há também quem se tenha deslocado para as imediações do Centro Espacial Kennedy para ver pessoalmente o lançamento. O foguetão pode ser visto de uma área alargada, mas apenas por poucos minutos, antes de se dirigir à órbita da Terra. Contagem decrescente e nervos à flor da pele. A menos de 10 minutos da hora de lançamento foi dada a confirmação de “Go for launch” de várias áreas de verificação. O relógio tinha sido parado depois da equipa ter decidido estender por mais 10 minutos os preparativos, mas mantendo-se dentro da janela de lançamento estimada. A contagem decrescente recomeçou no tempo previsto e o braço de acesso da equipa de missão foi afastado do foguetão, preparando as condições para o lançamento. A equipa de astronautas ainda podia acionar o botão para abortar a missão e desligar a Orion do SLS no caso de uma falha crítica. Tudo parecia estar a correr perfeitamente quando faltam pouco mais de 3 minutos para o lançamento, e as várias perspetivas do foguetão mostravam os motores prestes a serem ligados. Depois do anúncio de que faltava menos de um minuto sentia-se a tensão de toda a equipa e finalmente, no final da contagem decrescente, os motores foram ligados e o foguetão começou a ascensão, às 23h35 de Portugal continental, partindo para “a nova aventura à volta da Lua”.

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Como é habitual, a transmissão conta com vários convidados, que vão fazendo os seus comentários enquanto se esperam os momentos chave do lançamento do foguetão, a entrada em órbita e a separação da cápsula Orion. Alguns minutos depois do lançamento a capsula passou a linha de Karman, e seguiu o plano estabelecido, de separação da cápsula Orion. Há ainda muitos procedimentos a cumprir para o início da viagem de cerca de 10 dias, durante os quais os quatro astronautas têm várias experiências a realizar.

a579098670bc5266c53906cb54676a71b19469be-1024x580-1-300x170 Regresso à Lua

A emissão ainda continua durante algumas horas, mas nós regressamos mais logo para verificar a evolução da missão.

As várias fases da missão Artémis

A Artemis II representa um dos mais exigentes testes tanto à cápsula Orion como ao foguetão SLS, com vista ao regresso da humanidade à Lua, uma etapa que está agora prevista para 2028 com a missão Artemis IV.  Recorde-se que foi com a Apollo 11 e com os seus três tripulantes Neil Armstrong, Edwin “Buzz” Aldrin e Michael Collins que a humanidade conseguiu chegar à Lua pela primeira vez, a 20 de julho de 1969. Depois da Apollo 11, visitaram a Lua mais seis missões. A Apollo 17, lançada a 7 de dezembro de 1972, foi a última a chegar ao satélite natural da Terra. Veja o vídeo que a NASA preparou sobre esta missão histórica

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Durante a missão os astronautas tiveram uma série de experiências científicas para realizar, numa agenda bem preenchida, mas há também gulodices para enfrentar a frieza do espaço durante os dez dias em órbita. A NASA partilhou alguns detalhes sobre o menu que segue a bordo, e há café e doces, tortilhas e cidra de maçã, para além de 5 tipos de molhos picantes. 

image-1200x1500-1-240x300 Regresso à LuaCom os quatro astronautas segue também o peluche Rise, que como é tradição dará a indicação de zero gravidade. Mas este tem também um papel especial e leva consigo um cartão de memória com mais de 5,6 milhões de nomes de “passageiros” que se inscreveram na iniciativa Send Your Name para acompanhar a missão. O peluche foi desenhado por um aluno do segundo ano de uma escola da Califórnia, nos Estados Unidos.

A nova “corrida” à Lua

Inicialmente, a NASA previa o regresso de astronautas à Lua com a missão Artemis III. No entanto, a agência espacial decidiu fazer mudanças significativas ao programa. As alterações ocorrem numa altura em que a China ambiciona chegar à superfície lunar antes de 2030. Para não ficar em segundo lugar nesta nova corrida ao Espaço, a NASA anunciou um novo plano, chamado Ignition, com a agência a comprometer-se a acelerar o programa Artemis e a construir uma base na Lua.

https://x.com/astro_reid/status/2038383022647460164?s=20

Um momento muito emocionante ao fechar o zíper da Rise, sabendo que estamos levando 5.647.889 nomes conosco nesta jornada ao redor da Lua. Para todos! Pessoas do mundo inteiro enviaram seus nomes através da campanha “Envie seu nome com Artemis”. Esses nomes foram baixados para um cartão SD que está armazenado com segurança dentro do “Rise”, o indicador de gravidade zero projetado por Lucas Ye, um aluno da segunda série da Califórnia. Obrigado a todos por participarem!

A NASA está empenhada em alcançar mais uma vez o quase impossível: regressar à Lua antes do fim do mandato do Presidente Trump, construir uma base lunar, estabelecer uma presença permanente e realizar as restantes ações necessárias para garantir a liderança americana no Espaço”, defendeu Jared Isaacman, administrador da NASA.

Captura-de-ecra-2026-04-01-193053-1200x534-1-300x134 Regresso à LuaA terceira missão do programa vai testar os “sistemas e capacidades operacionais na órbita baixa da Terra”, preparando o caminho para a Artemis IV, que marcará o regresso de astronautas à Lua.  A nova versão da Artemis III servirá para testar, por exemplo, as naves que estão a ser desenvolvidas pela SpaceX e pela Blue Origin (Starship e Blue Moon, respetivamente) para transportar os astronautas para a superfície lunar. Estão ainda previstos testes em órbita de sistemas de comunicações e propulsão, bem como dos novos fatos para os astronautas. As mudanças ao programa envolvem também uma maior padronização das naves que serão utilizadas, assim como aumentar a frequência das missões à Lua. Se tudo correr como planeado, a NASA espera levar, pelo menos, uma missão à superfície da Lua por ano a partir da Artemis IV.

José Caleiro para MMH Créditos TEK Notícias 

 

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